Há flores depois da vida?
Há espinhos depois da vida?
Ou apenas um vaso vazio?
O que vem depois da vida é segredo do tempo.
O homem filosofa tanto sobre o "depois do fim",
Teoriza tanto sobre o futuro distante,
Mas a vida ainda é um mistério,
O presente é uma incerteza.
E o passado? Bem, você o esquecerá um dia.
Imensos tratados sobre a existência,
Imensos tratados para o tédio,
Tem coisas que não se tem definição,
Mas se tem ação,
Não transforme a vida numa fantasia,
Viva a vida como uma aventura,
E toda a aventura acaba,
Mas se toda a aventura acaba
Por que vive-la?
Tem que coisas que não se tem um "por quê",
Mas se tem um "como".
Eu rio
Me escandalizo daqueles que choram pelo tempo breve,
Ao invés de tentarem ser alegres nesse tempo,
Perder tempo, sabendo que você o perderá pra sempre,
O tempo não é seu, mas você o tem,
A coisa de mais valor que você tem, é o que vai te tornar um inútil,
A coisa de mais valor que você tem é o que vai te tornar esquecivel.
O tempo é o seu maior valor,
Sem o tempo você não é nada,
E com o tempo você se tornará um nada por uma eternidade.
Aquilo que te permite viver e criar momentos,
É o que vai te fazer os esquecer para sempre.
A minha maior riqueza é o tempo,
O meu segundo medo é perdê-lo,
E o meu primeiro medo é saber que ele existe.
E eu que tanto critiquei as filosofias,
Por um tempo criei minhas teorias...
Eu vou no parque, na trilha, na arte, no videogame,
Chega de teorias.
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Onde estão os meus poemas?
Dizem que os poemas nascem do peito,
Mas poucos dizem que eles morrem no peito.
Onde estão os poemas que um dia eu escrevi para você?
O papel guarda,
A angústia me aguarda.
Mas o papel se perdeu,
Eu estou perdido.
Mas o papel sujou,
Eu estou sujo de pecados.
Mas o papel molhou,
Meus olhos estão encharcados.
E não importa o estado do papel,
O que importa é o meu estado.
No fim versos são só palavras no papel.
Não há sentimentos nos poemas,
E nem emoções,
Há apenas poetas tristes e felizes,
Ou leitores tristes e felizes.
Nós somos os verdadeiros poemas.
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Para as chamas do coração,
Há sempre águas do córtex.
Frias águas.
Para sede, água.
Para fome, comida.
Para poeta, ilusão.
Há sempre novas mentiras a contar,
Novos versos para novidades falsas.
Cada lágrima que no chão cai,
Com o vento e a poeira se esvai,
E o pranto que tanto é cantado,
E no choro que tanto se faz filosofia,
É hidrogênio e Oxigênio.
Nossas sagradas emoções,
Nossos sentimentos místicos,
Nossas fantasias orientais,
Nossos devaneios oníricos
São as eficientes reações químicas e físicas cerebrais.
Há sempre novas mentiras a contar,
Novos versos para novidades falsas.
Frias águas.
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Uma vez eu morri.
Mataram-me.
Minha carne – pálida e pútrida –
Serviu de banquete a uma horda de abutres.
Sim, não me enterraram.
Sinceramente, eu nem queria.
Prefiro ser estrume de abutre
Do que estar preso num caixão,
Um caixão apertado, cheio de flores plásticas!
Sendo estrume, ajudo as árvores a crescer.
É uma desgraça.
Na vida, fui um inútil.
E, quando eu morrer, tenho que ficar sepultado?
Preso num caixão, sem fazer nada?
Uma vez eu morri.
Mataram-me.
– Um morto!
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Mais pessoas nascem a cada dia,
Menos pessoas morrem a cada dia.
Mas os mortos estão dormindo,
E os vivos estão tendo pesadelos.
Por que há mais flores em lápides
Do que flores em belos jardins?
Coveiros são jardineiros?
Coveiros são jardineiros?
Coveiros são jardineiros?
Coveiros são jardineiros?
Há oito bilhões de pessoas,
E bilhões de pessoas em solidão.
Quando foi que as pessoas aprenderam a regar também?
As pessoas regam espinheiros!
As pessoas regam tão bem!
Regam tão bem!
Tão bem!
Mais um morto!
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