O escritor das horas vagas @Vituu22

Qualquer quinta-feira de janeiro

As palavras se foram, isso já se sabe. Achava que as memórias também tinham ido. Até que ao puxar o colchão até a sala, Lembranças de tempos áureos vieram à tona. De quando já adultos, vivíamos como crianças. Daquele dia que juntamos papéis, lápis, canetas, Brincamos de poesia, e da casa, um sarau. Lembrei do nosso hambúrguer favorito, E de como amávamos comer juntos. Te vi no espelho elogiando minhas tranças, Que finalmente tive coragem de por na cabeça. Amava assistir contigo, qualquer coisa que fosse. E entendi tudo ao ler aquela página do livro: Extraordinário, mas sem ninguém pra aplaudir. Bem, nunca estive tão bem comigo mesmo. Nunca me senti tão reluzente, pleno, e em paz. E apesar de ter meus amigos, primos e pais, Não posso negar que foi muito bom Quando tu estavas por cá também. Às memórias persistem. Não foram apagadas.

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