A VIDA DE FRIDA
Escrava pintada Beleza amarga a traduz Cativa em sofrimento Já esqueceu o que é ter alento A dor tão doída Tirava-lhe a esperança a cada nova ferida Maldito seja o amor sacana Que só faz sofrer a quem ama Seu corpo mutilado não doía tanto Quanto sei coração estraçalhado Até a vida pequenina de seu ventre se esvaiu A morte é senhora E com solidão sabe bem açoitar O fim que essa escrava desejava Nem pregos e martelos puderam dar A alma padecia E suas tintas sabiam muito bem, um traço de má sorte aqui, uma pincelada de traição ali O cativeiro encerrou Melhor alforria que a morte poderia ter É findado o seu martírio de viver -'VITÓRIA MARQUES'
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