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Um Poema de Cada Vez

@ViniciusDuFrancis · desde 2019

Como se publica um poema? Ora! Deve-se pichá-lo nos OlhOs de alguém. https://www.instagram.com/poemas_vadios?igsh=MXRscGNkM2VpbGd2

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Rua

A rua por inteiro passa, crianças em suas carroças, velhos em suas maquinas importadas de conhecimentos alheios. as senhorinhas vedem pamonha como nos velhos tempos. A rua passa... esparsa, só o vento flutua verdadeiramente insatisfeito... as missaguinhas pulam junto às menininhas jubilosas em enleio. o tempo, ele apenas é que é dono de si. enquanto isso a rua passeia fragmentada, mas quase completa.

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Vejo minhas pernas

Vejo minhas pernas Levantando-se e indo embora. Vejo-as tomando um banho E preparando um café. Vejo elas descerem as escadas, Irem ao cinema, Sentarem em um bar. Vejo-as se enfiando No meio de outras pernas, Depois saindo por aí Chutando tampinha, Batendo bola na quadra, Pedalando, Correndo de cachorro louco, E sentindo cãibra. Vejo-as escalando montanhas E na ponta do precipício Sentir um frio na panturrilha. Vejo-as se ajoelharem No genuflexório E rezarem por mim Que estou estou deitado Em meu sofá, Sem minhas pernas para o ar Esperando-as retornar.

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Caldo

Cato palavras Como cata, a cozinheira, Caroços de feijão. As coloco, que nem ela, A cozir sob pressão. Ao pô-las servidas, De meu vocabulário, Nestes poemas-pratos Vez ou outra encontro, Mesmo com tanto cuidado, Uma pedra em meu caldo.

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Pena

A pena que caiu Do rabo da pomba Manchou de merda Os adjetivos que escolhi Para venerar teu sorriso

O Baile

Há gente dançando em toda parte. Corpos frenéticos aos sacolejos Se entrechocam num frenesi de excitações, Matando a fome de seus íntimos desejos. Há muita fome nessas casas, Mas ninguém se satisfaz. Há muito egocentrismo conjunto, E a fome se remexe tornando-se mutua. Dancem, dancem rebeldes transportados De prazer sintético e passageiro. A fome não cessa nunca de latejar. A fome baila com João. Ninguém se importa com a dança de João. João não existe, ele não é ninguém. A fome goteja torturantes condições E mais pede, mas não se pode dar. As pessoas dançam uma musica morta No recreio de suas frustrações. A fome não passa, mas delibera, Mas argumenta, mais se sustenta. A fome existe, e ninguém nota. Estão todos dançando em sua volta, De costas para sua cara de fome, Matando a sede da própria afetação.

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O meu sorriso chora

um pedaço meu chora um outro ri outro ignora e o outro tenta fugir meu sorriso chora meu choro sorri meu coração tenta fugir meu olhar ignora enquanto meu coração sorri meu choro foge e a ignorancia permanece aqui meu coração chora enquanto o olho sorri meu sorriso ignora o passado tentando fugir.

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Corpo

O corpo nu é um deserto, Até que alguém o cubra. O corpo é um deserto, Nu de explicações. O corpo é um deserto de excitações, Nu de alguém. O corpo, nu de alguém, É a explicação para o deserto, Até que de alguém se cubra.

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Smart

Este rosto sem face que tanto me encara Estes olhos vermelhos que nada me falam Este sorriso cansado que os dedos disparam Hahahahahaha. Certamente não teve tanta graça! As mãos que alimentam, que limpam Que amam, que pedem uma benção, Estão sempre ocupadas enterrando as horas Escoadas com o tempo que nunca mais volta O bolso apertado que carrega o mundo, É o mesmo que outrora levava uns trocados, O mesmo que levava uns cigarros; Carrega agora o feed sempre atualizado.

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Preguiça Sagrada

A preguiça sagrada É o corpo, a mente e a alma Em estado de nada. Pés suspensos. Olhos lentos. Braços va-ga-ro-sos... Tampando a boca que boceja um beijo Ao tempo que condescendente, para.

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Segredo

A sombra que se estende Entre a luz e o espelho, É a mesma que se sente Entre a dor e o apego Não há silêncio na escuridão, Não há voz que se ouça. Tudo é tristeza na força Que se faz para viver em solidão. São curtos os sorrisos Neste vasto por vir, Amargos os corpos invisos Daquilo que se negaram sentir. A ausência de amor Desmorona a paz. A vida se veste da cor De tudo que ficou para trás

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