Idiossincrasia
Sou muito daquilo que não desconfiam os olhos não mostram o grito da alma a beleza é fruto de generosas perspectivas a decepção advém de incoerentes expectativas Sou muito daquilo oculto nas sombras sou luz, sou perigo, sou poço sem fim vivo ambivalências, vivo inconsistências sou paz, sou conflito, demônio e querubim. Sou muito daquilo que ainda não sei aprendo comigo severas lições procurando abrigo em inaudíveis canções desvalorizo as belas obras que outrora criei Sou muito daquilo que muito chorei escrevi versos com tinta e com sangue sobrevivi por imensos capítulos de dor fui enterrado cem vezes; cem, ressuscitei. Sou muito de mim e muito dos outros sou tanto original quanto reciclado sou água doce e oceano salgado há em mim padrões e idiossincrasias Sou alma sentenciada, sou alguém no limbo sou metade minha mãe, metade meu pai. sou a incerteza de tudo; a convicção de nada; metade labaredas e metade enseada.
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