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Victor Ruyz

@Victor_ruyz · desde 2020

Autor de Universos Idiossincráticos, livro de poesias. Quem se interessar pode ler parte dele em @victor.ruyz mande mensagem para comprar ❤️

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Humanidade

Ataque alienígena

Estaríamos em união soubéssemos de invasão alienígena. Transbordaríamos afeto ao inimigo hoje certo houvesse um perigo maior manifesto Rancor nenhum haveria Haveria, entre os espécimes, empatia. Estaríamos em união soubéssemos de ataque alienígena. O amor seria manchete. Julgamentos iriam à prisão Estaríamos em união não fôssemos nós nossa condenação II Percebo sermos de nós mesmos a ameaça Um antigo medo tornou-se contemporâneo desejo: Abdução

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Bagunça compactada

Desde os australopitecos já é costume se agrupar Ideais compatíveis evita, às vezes, mal-estar. A reflexão nasceu após nascida a linguagem. Com a criação das letras veio a salvação e a maldição da humanidade. Com a criação das letras veio a salvação e a maldição da humanidade. Poderiam se compreender, puderam se estranhar. Domaram o fogo, a matemática, o tempo, até o mar. Domadas tantas coisas perceberam-se condenados a domar. Domadas tantas coisas perceberam-se condenados a domar Um só é solilóquio, se tem dois pode ser caos. Para cada loucura no mundo outros três loucos para acharem-na sensata. A bagunça “humanidade” é dividida em países para ser compactada. A bagunça “humanidade” é dividida em países para ser compactada. Surgiram os territórios, os exércitos, as crenças, os céticos. Surgiu o canto céltico, o jazz, o Rock ‘n’ Roll, a MPB. Surgiu a metalurgia, o rádio à pilha, o preto e branco, a TV. Surgiu a metalurgia, o rádio à pilha, o preto e branco, a TV. Construirão robôs e espaçonaves, sairão da Terra para sobreviver. Colonizarão outro planeta, serão messiânicos para uma interplanetária nação. Tudo repetir-se-á. Terão sido as letras salvação ou maldição?

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A matriz

Que o colo da mãe nada no mundo melhor havia. Aconchegava-se no abraço apaziguador. O acalento maternal tornava-o sonhador. Núcleo caloroso. Sensação igual não há nem haverá. Reviver a infância tão doce cura seria! A fé inabalável cedera ao tempo Drogou-se do mundo, aprendeu a perder. Interessou-se num novo bocado de coisas. A matriz foi sendo esquecida. Um vazio crescente tornou-se rotina Procurou distrações e disfarces à vida cretina. Com calma, já velho, caiu choroso. Percebeu que viver é sentença de morte. Atravessou o corredor sem aproveitar Não valorizou quem lhe foi, por nove pesarosos meses, lar. Restou-lhe um clamor por desejar retornar Restou-lhe pesares e um mal-estar. Por fora, escravo, servente do mundo; predador de si mesmo. Por dentro, criança, querendo, de novo, no colo da mãe, se aninhar.

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Estrelas modernas

Desde que o mundo é mundo Buscamos algum tipo de proteção Damos nosso destino há alguma divindade, tornamo-nos acorrentados por frívolas teorias Pensamos pouco e nos classificamos como estupendos donos da verdade! Somos astros apartados da Filosofia. Certas estrelas não brilham com autonomia Observei o céu, fotocópias nele havia. Gerou-se o medo de ser diferente Disseram que assim só age o imprudente Disseram demais sabendo de menos Crias da Terra julgando as de Vênus. Ser igual não é estranho; diferenças fazem parte Não ouviram um disco provindo de Marte, houve alarde. Um extraterrestre no encarte. Metade humano, a outra metade sem traje. Poderíamos tanto, mas apartados teimamos em remar. As frágeis gotas encontram um obstáculo Insistentes, coletivas, onda após onda, podem continuar. Falta a nós, astros, a união e a fé vista no mar. Não há estrela que sozinha possa o céu iluminar.

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Talvez ainda seja muito cedo

Talvez ainda seja muito cedo para dizer a si mesmo que passou tempo demais. Talvez ainda seja muito cedo para dizer a si mesmo que já é tarde demais. Talvez ainda seja muito cedo para temer o futuro e não aprender olhando para trás. Talvez ainda seja muito cedo para num desesperado impulso convidar-se a sete palmos com um corte no pulso. Talvez ainda seja muito cedo para, por medo, virar ermitão fugir da civilização, mergulhar em solidão. Talvez ainda seja muito cedo para finalizar esta poesia. À m’alma resta apenas caprichar na pontuação...

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Coral nascendo de novo

E se eu passasse o resto de meus dias dizendo que te quero ainda assim estaria dizendo pouco Para demonstrar a quantia exata seria preciso burlar a invejosa morte e dobrar a estimativa de vida Aí talvez assim eu chegasse perto do necessário para esculpir o sentimento Aí talvez assim você me percebesse trocando de pele como coral nascendo de novo Tentando deixar a sujeira de lado, não só por ti, por ambos E se eu passasse o resto de meus dias dizendo que te quero feliz eu teria vivido a vida. E se eu me declarasse tanto quanto mereces às noites eu estaria rouco. Proclamarei o meu amor de modo comedido só para não virar clichê Eu repetiria mil vezes a mesma frase, do despertar ao adormecer. Olhando intensamente em teus olhos: eu amo você.

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Verso solto

Cada dia uma nova chance para não ser mais os erros de ontem.

A complexidade do tempo VII

Não sei ao certo qual fora meu erro Percebo apenas estar condenado Grades me cercam, algemas nos pulsos Respiro ainda. Deveria estar grato? Não matei o Sr. Tempo, ele me matou. Latrocínio, eu diria: meus sonhos, roubou. Dez anos de pena: o tempo que me restou. Não sei responder quanto ao motivo do crime Quando dei por mim sangravam minhas mãos O vermelho não me pertencia! De minha vida era apenas a literal representação Não matei o Sr. Tempo, ele me matou. Latrocínio, eu diria: meus sonhos, roubou. De mim, sinto pena, “sobram ainda dez anos!” me chamam de louco. Mal sabem como é a cela dentro do meu corpo.

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Idiossincrasia

Sou muito daquilo que não desconfiam os olhos não mostram o grito da alma a beleza é fruto de generosas perspectivas a decepção advém de incoerentes expectativas Sou muito daquilo oculto nas sombras sou luz, sou perigo, sou poço sem fim vivo ambivalências, vivo inconsistências sou paz, sou conflito, demônio e querubim. Sou muito daquilo que ainda não sei aprendo comigo severas lições procurando abrigo em inaudíveis canções desvalorizo as belas obras que outrora criei Sou muito daquilo que muito chorei escrevi versos com tinta e com sangue sobrevivi por imensos capítulos de dor fui enterrado cem vezes; cem, ressuscitei. Sou muito de mim e muito dos outros sou tanto original quanto reciclado sou água doce e oceano salgado há em mim padrões e idiossincrasias Sou alma sentenciada, sou alguém no limbo sou metade minha mãe, metade meu pai. sou a incerteza de tudo; a convicção de nada; metade labaredas e metade enseada.

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Vida

A complexidade do tempo

I Seria o tempo herói ou vilão? Por frações de segundos pode-se alterar a percepção. O tempo pode ser castigo eternizado. Pode ser absolvição. O tempo presenteia com a vida e mais tarde nos furta a infância. O tempo é aprendizado e impiedoso ressalta nossa ignorância. A prévia dizia que muito eu sabia. Na hora eu soube que sabia de nada. Regozijo-me hoje; amanhã, já não sei. E se hoje tropeço amanhã saberei caminhar em solo adverso. O tempo ensina que dar um tempo pode fazer bem. Um tempo longe de Deus; um tempo perto de alguém. II Somos uma organização de instantes, não episódicas sensações. Tanta culpa é carregada por causa de triviais oscilações. É normal estar jubiloso num dia e noutro ansiar por morrer. Ninguém é júbilo vitalício – anote aí, senhor Deus, poderíamos ser. A morte é o único instante que não permite ninguém de se arrepender. Cada instante é a reprodução do somatório de tudo outrora aprendido com aquilo que ulteriormente espera-se aprender. O tempo pode ser o pior dos pecados; pode ser fé trazendo novos significados; pode ser veneno ao vivo; torniquete ao ensanguentado. O arrependimento é um alerta de que se está aprendendo a viver. III O tempo é danado. Sem ré e sem freio. Transforma-nos um bocado. Modifica a lista de desejos: sobreviver substitui voar e se torna o primeiro. O que éramos há um minuto não seremos novamente no futuro. As cicatrizes dos cortes nos peitos estarão sempre evidenciadas, mas não há hemorragia emocional que não possa ser estancada. Erro pode tonar-se aprendizado. Uma falha pode seres traumatizados gerar. Gênio algum sairia da lâmpada se ficasse amedrontado com a mão do estranho que ronda seu lar. O tempo revela segredos e esconde verdades. Confunde sábios, confronta as trevas, gera repetições, é inevitável. IV O tempo é uma infinita sandice. Parto, crescimento, reprodução, velhice. A regra é bem conhecida. Somos peças clichês, a vida é tabuleiro surreal.

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