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Vitória

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Lágrimas

Não há Deus

Não há Deus que me levante! Não há Deus que me ampare! Mas se ao menos eu morresse neste instante, Talvez houvesse um Deus a salvar-me. Por enquanto a certeza De que nenhum deus há de salvar Aquela cuja imagem se perdeu. Em um passado não muito distante, morri! E agora sou eu que está com saudade de si... Morri! Mas ainda a boca amarga O coração, fragiliza-se A alma, dilacera-se E em meu corpo jaz aquela que nunca mais voltarei a ser

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Vida

Sobre a vida

Há silêncios que se ouvem por dentro E desejos que a matéria não traduz E no íntimo da noite a alma descansa, viva “O que é a vida?”, perguntou “A vida é um mistério”, concluiu Mas “o que é a vida?”, perguntou novamente Nascer e morrer? Ou algo entre os dois? Um sentimento? Ou uma saudade? “O que é a vida?”, perguntou Enquanto a vida o atravessava pelo ‘caminho em direção a si mesmo’, Há palavras que palavras não explicam

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Amor

Há uma paixão

há uma paixão dentro de mim cujos espinhos machucam meu peito. há uma paixão dentro de mim que guardo como quem guarda um pássaro em uma gaiola. e eu não sangraria se não houvesse uma paixão dentro de mim, mas há uma paixão dentro de mim que dilacera a carne que consome o sangue que se alimenta das sutis canções de um coração frágil e, quando chega a noite, no escuro eu rezo pelo trilar dessa paixão fora do peito

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Amor

Pierrot apaixonado

Percorra-me, deseja-me, tenha-me em teus braços Foda-me Dá-me o ósculo sagrado de prazer rendido pelo enorme desejo de nossos corpos despidos, desnudados, e entregues ao ato supremo de amor irrepreensível. E deixa-me provar o gozo de experimentar contigo o sabor da noite dos amantes

Amor

Quando o vi a primeira vez

Poema que recitei, agora escrito: Quando o vi a primeira vez, não lembro se havia ladrilhos ou terra batida Não lembro se as paredes eram brancas, finas ou frias Sequer lembro se parede havia, mas havia você E, fosse o que fosse, você era tudo Não lembro em que dado momento o meu coração decidiu chamar o seu Lembro apenas que na primeira vez que o vi, meus olhos excitaram-se pela chama de sua face E isso foi o suficiente Certo dia, o vi Noutro dia, o chamei Mas não sei o motivo exato Não entendi o porquê Sei somente que intensamente amei você

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Lágrimas

Memória

Se eu pudesse, enfraqueceria o ritmo dos dias, das horas, dos ares Mas apresso-me em sufocar uma memória de um tempo, de uma pessoa e de um lugar Nem pelos dias nem pelas horas nem pelos ares vive o meu corpo, tão inerte e morno, atravessado pela angústia de não querer lembrar Parada minha carne, dentro um grito forte de dor e de morte minha alma extravasa E neste limbo em que me encontro, sem dia, sem hora, sem ar, permaneço tentando não lembrar de um tempo, de uma pessoa e de um lugar

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Fantasia

Despedida

Encontro-me sozinha com tua presente ausência E ainda que eu diga que por ti não sinta o mar em meu peito, estarei mentindo Sinto que nada do que eu possa fazer seja o suficiente para que o destino nos mova um ao encontro do outro Mas deixarei que, pouco a pouco, minha memória perca-se e leve consigo o sonho e o desejo, dissipando-se como fumaça E então deixarei que se despeça Entregar-te-ei ao passar silencioso do tempo

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Amor

Você sentiria

Eu sinto que nada do que eu possa dizer seja mais do que tudo aquilo que você já sabe Ainda assim, você é aquilo que em meus pensamentos eu não poderia nomear senão um sonho Um sonho que é aquele dos quais não querermos acordar E dos quais, quando nos acordamos, acordamos querendo voltar. Tão somente por alguns instantes tenho em mim que tudo o que você é, é tudo o que deveria ser E, subitamente, tudo passa a ser não mais que insuficiente. Se ao menos fosse aqui, comigo.. Se ao menos visitá-lo não fosse apenas em meus pensamentos, estaria feita! Por você, eu cruzaria céus e mares Eu fugiria do país, se preciso fosse, E se você olhasse a si com os meus olhos, Se você sentisse o que eu sinto Você entenderia E saberia realmente mais do que tudo o que foi dito e mais do que qualquer palavra pode expressar

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Humanidade

há um sem-número

há um sem-número de cores um sem-número de amores nesta vida tão pequena e há um sem número de dores um sem-número de horrores em toda essa nossa insignificância

Vida

Meu coração

Murcham belas rosas em meu coração E ainda que quase inteiramente petrificado, Sangra! Tanta é a vida que arde por dentro