Conto #147 – Mais que Poesia
O que escrever para você? Ou melhor, como dizer? Já falei tantas coisas bonitas, que parecem tão óbvias, tão infinitas: como o brilho que só o teu sorriso traz, ou a cor que o céu descobre quando te vê em paz, mesmo quando você se sente incompleta, mesmo quando a vida parece tão incerta. E mesmo com a mente tomada por turbilhões, eu me agarro a uma memória, entre tantas milhões. Era uma tarde ensolarada, tão clara, tão tua, e diante de mim estava a verdade mais nua: meus olhos diziam, meu peito batia, tudo o que eu precisava estava ali, naquele dia. Todas as vezes em que chorei escondido, em que me desfiz em pranto contido, diziam o mesmo, sem medo: era você quem podia confiar. Todas as vezes em que silenciosamente morri, todas as vezes em que da vida desisti, repetiam em eco, sem se calar: tudo o que eu precisava era te amar. Já te disse tantas coisas bonitas, que parecem tão óbvias, tão infinitas, mas palavras são frágeis, tão finitas. O que pulsa em mim não cabe em poesia, não cabe em versos, mesmo que declamasse com toda a minha alegria. E mesmo assim, se eu pudesse resumir, se tudo um dia viesse a não mais existir, uma certeza ficaria imortalmente escrita: entre todas as lembranças da vida, você é, e sempre será, a minha favorita.
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