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Vidro azul

Olhando bem as paredes, elas estão lá, se formam lá, reconstroem-se, canto por canto. Ela é tão bela e azul; sua flor brota como um girassol em meio ao pôr do sol quente. A sua bela e única dor.. a dor cuja causa não há danos. A beleza é tão profunda que pode ser sentida. Ela é feita, pele por pele, em um conjunto completamente diferente. Totalmente azul, bruscamente arranhada, desajeitada, jogada no meio da sala, entre paredes, enquanto as cinzas no chão a rodeiam. Mas, na vidraça azul, a borboleta paira e permanece lá, grudada naquele instante, como uma fotografia onírica. E o vidro azul se torna enfeite, pote, jarro, desenho, criança, alma. Ela falou, bem aqui, que a cinza sem cinza pairou ontem à noite na penumbra das enumbras azuis, das azuis vidraças.

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  1. Guilherme Daniel

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