Valmon Dias Ferreira @Valmon

SONETO NÚMERO 2

O poeta é um fingidor, diz o Pessoa, Que finge tão desesperadamente Que até chega a fingir a dor que sente, Fingindo a própria dor até que doa. O poeta é um fingidor, diz o Pessoa, Que finge para si e toda a gente, Sentindo verdadeira a dor que mente, Num gosto estranho por sofrer à toa. Infelizmente a minha dor é real, Não acrescento ao meu penar ou mal, Como o poeta tolo que a fingira. Eu sofro, sim, mas não me desespero, E se sofro, não sofro porque quero - Quem dera que essa dor fosse mentira.

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