Unialado @Trick
Poema

Entre entranhas

Um refém das circunstâncias de uma vida sem escopo à espera do demônio que devolva-lhe o tempo. Os ponteiros muito em breve encontrar-se-ão no topo. As estrelas e a lua testemunham seu tormento. Seu tardio redentor tem outra vinda anunciada. Chega a hora de colher da liberdade o doce fruto. O destino, pervertido, dá um'alta gargalhada. A angústia ensurdece até mesmo o mais astuto. No estômago da besta, dá-se conta da desgraça. Desaquecem-se as entranhas, desregulam-se os hormônios. Logo após regurgitado, a penumbra lhe abraça. Foi mirado o paraíso e acertado o pandemônio. Corre rápido o azarento pela ponte da agonia. A angústia o impulsiona, a gravidade o arrebata. Na sua mente, cresce a ânsia pelo fim daquele dia. Outra besta o devora e suas esperanças mata. Expelido, corre o tolo rumo ao último diabo. Este sim há de enfim trazer um fim ao seu tormento. Já no leito, regozija: o revés foi superado, mas jamais, nunca, jamais, terá de volta aquele tempo.

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