Quantos dedos lhe apontavam
Saindo de sua mão?
Quantos aquebrantados foram os espelhos
Dizendo do coração?
Quantas rugas são faceiras
A imitar o solo do chão?
Quantas mentes computaram
A conta de seu cordão?
Quantos são os filhos de Maria
Para ter a salvação
Quantos são os peitos que pulsavam que
Hoje já não pulsam não?
Quantos mártires já cansaram .
De tanto morrer em vão?
Quantas são as filosofias
Que dizem das coisas que são?
Quantas bocas se abocanharam
Com a promessa do viço do pão
Quantas balas de festim
Fazem o tiros de um canhão?
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Quando teu beijo passa ligeiro
Ao meu rosto
Da-me logo uma vontade de dizer
Espere!
Não vá!
Fique mais, vai! Se demora mais um pouco.
Aí logo caio naquele mormaço
Que inflama o peito
A alma
E que de tão quente dói
Pois ter minha mão só
Se teu cabelo nas juntas dos dedos
Faz falta...
E quanto faz...
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Sintas!
Ame!
Ria!
Chore!
Grite!
Sorria!
Odeie!
Beije!
Pinte!
Dançe!
Ouça!
Cante!
Mas não morra antes que a vida o leve
Morra na partida
Mas não antes dela.
Viva!
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Quero morrer no frenesi de tua boca
Como um Pescador que vai
Num súbito nado ao mar
Numa incógnita
Enigmática
No anonimato.
Quero em ti, pousar meu rosto no teu
Como uma estrela que desabrocha suas fúlguras num brilho fugaz
Naquele gigante céu mimoso
Que de tempo em tempo
Há de alimentar seu brilho.
Quero ter teu lábios como envelope
Que se embala como um presente
Cortejado a mim
Que se abrem, como um arperjo harmonioso
Que se degusta lentamente
E há de ser lento
Pois finda a tristeza no beijo teu.
E há de ser lento
Pois a vida é curta
As pessoas amam rápido
Mas eu não
Quero me demorar
Ter o tempo que é eterno
Pois o amor
Se este termo caber ao que é sentido
É como uma máquina
Daquelas futuristas de ficção
Na qual se ama em um minuto
O mesmo que dez anos.
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É indelével,
Inabalável,
Inapagável a dor do perdão
Dolorido é o peito daquele que esquece
Pois para perdoar
Se atira um pedaço do peito no fogo
De tanto perdoar
O perdemos.
Para pedir
Basta estender a mão
Igual como um mendigo moribundo
Pedinte na avenida
Porém quando se perdoa
Invés do desalentado
Receber esmola
Ele há de retirar de seu bolso maltrapilho, Se isso ele tiver
Seus míseros centavos e dar-lhes ao rico
Passeando de automóvel luxuoso.
Quão humilhante.
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Da porta pra dentro
A luz cintila, enfeitando a parede
(De tijolo sem tinta)
O plástico enfeita a árvore
(Também de plástico)
O presente enfeita a árvore
(Também de plástico)
O plástico enfeita o presente
(Não preciso dizer de que é)
Da porta pra fora
O papel embala o haxixe
(Ambos naturais)
A faca empala o rapaz
(Naturalmente, sangra)
A menina, logo após a primeira menarca
Dá a luz
(De acordo com as escrituras, naturalmente)
A fumaça sobe para a nuvem plúmbea
(Naturalmente como há de ser)
E o corpo morre em cinzas entre pneus
(Naturalmente)
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O casebre rangeu
A mãe lamentou
A rua lotou
O pai abraçou.
A filha chorou
A boneca soltou
A farinha molhou
A árvore caiu.
A água incidiu
O filho murmurou
A vizinha sorriu
A outra lastimou.
O chuva falou:
- O vento levou
- O vento levou
- O vento levou
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És agora
Desmetáfora
Concreta como os prédios poentes
Do horizonte, e seus pássaros de aço
Como halos cristãos.
És agora
Mais vivida
Mais nua do peito
És tanta luz
Quanto uma estrela.
Inveja tenho dos babilônios
E suas argilas tolas
Cunhando teu nome, vênus
Ou ishtar
De nada vale
Inveja tenho do mesmo jeito
Te viram primeiro que meus olhos.
És agora luz
Desmitificada
És de agora em diante, nunca mais baça
És cosmográfica
Meu estudo
Minha dedicatória.
És agora minhas palavras
Um gigante cortejo
Complacente a tua alma fresca
És astrológica
Lógica e ilógica
Tudo em minha vida.
És paixão minha, meiga e fervorosa
És estrela que brinca no céu
Diz os astros, que seja Quiçá
O de minha boca.
És cômoda a meu peito
Como luz que varre meus olhos
Colirio da dor
És luz amor...
És estrela...
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Se tem de me beijar
Que seja quietinho, meu bem
Não grite a maior candura
Do beijo teu
Pro povo todo
Que diz que ama
Mas não ama não...
Meu seio morre
Põe nele pregado
Um epitáfio que diz;
Aqui jaz
Um homem que ama
Morreu sordidamente
A despeito da falta
De sua dama.
Porém, tu vens
Como um candeeiro
Iluminando essa trilha
Que é meu coração.
E o que era amargo
Adoçou
E o que era escuro
Iluminou
E o que era feio
Enfeitou
E o que era ausência
Voltou
O que era sozinho
Amou.
Vens como um isqueiro
Primeiro limpa as cinzas
Deixadas pela saudade
E depois acende meu peito.
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