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Anthony luis

@Tony_Luis · desde 2024

Sou um jovem poeta escrevo modestamente e sentimentalmente.

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Salva de tiros

Quantos dedos lhe apontavam Saindo de sua mão? Quantos aquebrantados foram os espelhos Dizendo do coração? Quantas rugas são faceiras A imitar o solo do chão? Quantas mentes computaram A conta de seu cordão? Quantos são os filhos de Maria Para ter a salvação Quantos são os peitos que pulsavam que Hoje já não pulsam não? Quantos mártires já cansaram . De tanto morrer em vão? Quantas são as filosofias Que dizem das coisas que são? Quantas bocas se abocanharam Com a promessa do viço do pão Quantas balas de festim Fazem o tiros de um canhão?

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Ligeiro Não!

Quando teu beijo passa ligeiro Ao meu rosto Da-me logo uma vontade de dizer Espere! Não vá! Fique mais, vai! Se demora mais um pouco. Aí logo caio naquele mormaço Que inflama o peito A alma E que de tão quente dói Pois ter minha mão só Se teu cabelo nas juntas dos dedos Faz falta... E quanto faz...

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Viva!

Sintas! Ame! Ria! Chore! Grite! Sorria! Odeie! Beije! Pinte! Dançe! Ouça! Cante! Mas não morra antes que a vida o leve Morra na partida Mas não antes dela. Viva!

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Frenesi

Quero morrer no frenesi de tua boca Como um Pescador que vai Num súbito nado ao mar Numa incógnita Enigmática No anonimato. Quero em ti, pousar meu rosto no teu Como uma estrela que desabrocha suas fúlguras num brilho fugaz Naquele gigante céu mimoso Que de tempo em tempo Há de alimentar seu brilho. Quero ter teu lábios como envelope Que se embala como um presente Cortejado a mim Que se abrem, como um arperjo harmonioso Que se degusta lentamente E há de ser lento Pois finda a tristeza no beijo teu. E há de ser lento Pois a vida é curta As pessoas amam rápido Mas eu não Quero me demorar Ter o tempo que é eterno Pois o amor Se este termo caber ao que é sentido É como uma máquina Daquelas futuristas de ficção Na qual se ama em um minuto O mesmo que dez anos.

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Banqueiro de perdão

É indelével, Inabalável, Inapagável a dor do perdão Dolorido é o peito daquele que esquece Pois para perdoar Se atira um pedaço do peito no fogo De tanto perdoar O perdemos. Para pedir Basta estender a mão Igual como um mendigo moribundo Pedinte na avenida Porém quando se perdoa Invés do desalentado Receber esmola Ele há de retirar de seu bolso maltrapilho, Se isso ele tiver Seus míseros centavos e dar-lhes ao rico Passeando de automóvel luxuoso. Quão humilhante.

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Da porta pra dentro

Da porta pra dentro A luz cintila, enfeitando a parede (De tijolo sem tinta) O plástico enfeita a árvore (Também de plástico) O presente enfeita a árvore (Também de plástico) O plástico enfeita o presente (Não preciso dizer de que é) Da porta pra fora O papel embala o haxixe (Ambos naturais) A faca empala o rapaz (Naturalmente, sangra) A menina, logo após a primeira menarca Dá a luz (De acordo com as escrituras, naturalmente) A fumaça sobe para a nuvem plúmbea (Naturalmente como há de ser) E o corpo morre em cinzas entre pneus (Naturalmente)

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O vento levou

O casebre rangeu A mãe lamentou A rua lotou O pai abraçou. A filha chorou A boneca soltou A farinha molhou A árvore caiu. A água incidiu O filho murmurou A vizinha sorriu A outra lastimou. O chuva falou: - O vento levou - O vento levou - O vento levou

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Estrela D'alva

És agora Desmetáfora Concreta como os prédios poentes Do horizonte, e seus pássaros de aço Como halos cristãos. És agora Mais vivida Mais nua do peito És tanta luz Quanto uma estrela. Inveja tenho dos babilônios E suas argilas tolas Cunhando teu nome, vênus Ou ishtar De nada vale Inveja tenho do mesmo jeito Te viram primeiro que meus olhos. És agora luz Desmitificada És de agora em diante, nunca mais baça És cosmográfica Meu estudo Minha dedicatória. És agora minhas palavras Um gigante cortejo Complacente a tua alma fresca És astrológica Lógica e ilógica Tudo em minha vida. És paixão minha, meiga e fervorosa És estrela que brinca no céu Diz os astros, que seja Quiçá O de minha boca. És cômoda a meu peito Como luz que varre meus olhos Colirio da dor És luz amor... És estrela...

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Quietinho

Se tem de me beijar Que seja quietinho, meu bem Não grite a maior candura Do beijo teu Pro povo todo Que diz que ama Mas não ama não...

Espírito

Meu seio morre Põe nele pregado Um epitáfio que diz; Aqui jaz Um homem que ama Morreu sordidamente A despeito da falta De sua dama. Porém, tu vens Como um candeeiro Iluminando essa trilha Que é meu coração. E o que era amargo Adoçou E o que era escuro Iluminou E o que era feio Enfeitou E o que era ausência Voltou O que era sozinho Amou. Vens como um isqueiro Primeiro limpa as cinzas Deixadas pela saudade E depois acende meu peito.

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