Vela
Eu sinto que me apagaram, tal como aquelas velas de aniversário que iluminam todo o ambiente De repente me assopram, deixando minhas faíscas acesas sobre a mesa como mera lembrança do que fui Mal cantaram parabéns como aviso prévio, cortaram o bolo e o pedaço mofado veio para mim Fazendo com que eu imaginasse quando a festa teria fim, para que finalmente pudesse ficar escuro o suficiente Para novamente acender e iluminar o ambiente, mas enquanto isso não acontece A parafina que me envolve me endurece, não abastace o prato que me colocaram Para que não sujasse o bolo, mera formalidade para total proveito dos convidados Quando todos se vão, busco por fósforos perto de mim Mas enrijecida como estou não alcanço, e por medo de queimar não avanço Porque quando me incendiar por inteira, o que sobrará de mim? Se a parafina que me envolveu todo esse tempo, ela que foi tudo que sobrou da memória do que já foi Se for, quem dirá quando me acenderão novamente como posso ter a certeza que o cheiro de vela queimada não me atormente? Estática, fico saboreando a sensação de um dia ter sido, e a possibilidade de ser novamente.
Nilza Poetisa
Lindo e profundo teu poema Luiza 👏👏🤍
Luiza Fernandes
Muito obrigada 🤍🤍
Nilza Poetisa
Sei que estou atrasada Mas é sincera as boas vindas 🤍
Luiza Fernandes
Em bom tempo🤍