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SRP

@Susete · desde 2018

@susetedarosapereira

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Ai...

Quantos gritos podem caber num silêncio? Quanta dor pode suportar uma alma? Quanto desespero antecipa a calma? Quando o fim dá o seu prenúncio? Quando a pressa de que tudo acabe, acaba? Quando a luz no fim do túnel aparece? Quando é a atendida a constante prece? Quando cessa a sensação de estar mutilada? Quando finda o medo que me ronda? Quanto tempo tenho ainda para dar tempo? Quanto pavor pode tomar o pensamento? Quando a morte deixa se ser a minha sombra? Quando o amanhã deixa de ser pavoroso? Nesse turbilhão de sentimentos tão nefastos... Quando é ouvido o clamor tão fervoroso? Quando os dias deixarão de ser tão inexatos? E retornará a mim o abraço terno e amoroso... Quando, meu Deus, quando se encerra aqui na Terra o meu contrato? Susete Pereira

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Luzes, câmera, ação!

Hoje revirei os escombros das minhas memórias Um amontoado de entulhos do que sobre(vivi) E vi que não eram meus os papéis que recebi E decidi que agora eu vou protagonizar a minha história Serei apenas eu, a mocinha e o bandido Faço o script, grito: luzes, câmera, ação! No meu romance, minha comédia, minha ficção Mas o drama, esse será banido! À partir de agora todos serão figurantes Se era para atuar sozinha, pois bem! Agora faço questão! Nada, nada mais será como antes Talvez comigo, apenas mais um na atuação Que ao que sinto não seja displicente E ande pelos palcos dessa vida, segurando firme a minha mão. Susete Pereira

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Purgatório

Tu não pode mensurar o que me fez sentir Minha vida virou um grande rolê aleatório Um breu, um limbo, um purgatório Onde eu não estou sabendo existir É pra eu não demonstrar fraqueza? E por acaso é fraco um ser que ama? Que sofre por ver vazio um lugar na cama... E dorme de conchinha com a tristeza... É certo que tudo um dia vai passar, Mas enquanto nada passa? E eu soluço de tanto chorar? Eu sei que não há o que eu faça Que te instigue a regressar E o hoje... O hoje não tem graça...

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Saudade

Moras aqui, por entre meus pensamentos Customizando as lembranças Com pitadas de esperança E um misto de sentimentos... Preenches a imensidão De tudo que desconheço E o pouco que ofereço Cabe só no coração E um coração é tão pouco Para quem vive sem riscos Sem aspas, nem asteriscos Nem um poeta, nem um louco...

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Resiste!

Tudo o que foi bom, hoje não existe Os sonhos que para ti sonhei E as promessas que eu mesma quebrei... Mas nosso amor, forte, resiste! Vai ficar na nossa história essa parte triste Espero que seja esquecida com o tempo Que dê espaço à todo bom sentimento Pois nosso amor, forte, resiste! O mal sempre ronda, insiste... Mas não há de soltar nossa mão Nem tocar nosso coração Porque nosso amor, forte, resiste! O que importa é o que Deus assiste E não o que o mundo vê O bem vai prevalecer Com Deus, nosso amor, forte, resiste!

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A dor

Estou assim, desprevenida, e ela vem... E num instante, em desatino, eu oro, rogo! Mas não tem jeito, nela me afogo Já não tenho dor, a dor me tem! Ela desconhece o setembro amarelo Para a dor não tem mês, só estação Lá fora o sol escaldante do verão Para a dor, é sempre rigoroso inverno E esse sorriso sempre estampado no rosto? A dor não tem cara, só tem tarefa Estou bem viva e o coração putrefa A dor é um brinde ao desgosto A dor é o inferno em vida A alma queima e o coração congela Um ser sem nenhuma tutela Deseja, sem volta, a partida. Susete Pereira

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Desespero

A vida é olheira bem profunda... É o cabelo totalmente embaraçado... A vida é querer correr, fugir Mas sem saber para qual lado... A vida não tem maquiagem A vida é o que estou sentindo É esse soco no estômago E o chão sob os meus pés sumindo... A vida é sentir que falhei em tudo E ter medo de tentar novamente Medo da própria vida Medo desse ser chamado de "gente". A vida é um fardo pesado Um trem que desconhece o trilho Um meteoro alucinado Fingindo que é uma estrela, um brilho... Hoje eu não escovei os dentes... Sei lá! Não fazia sentido... Não queria ter acordado... Meu Deus! Quero ainda estar dormindo!!!

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Tudo passa

Me perco num labirinto de sonhos e de lembranças Por hora, a vida parece um aglomerado de devaneios Onde sinto que ela, a vida, perdi entre tantos anseios E me agarro no último pilar que me sustenta, a esperança O tempo passa depressa e vestido de impiedade O destino foi traçado aos socos no meu estômago E as cicatrizes latejam forte em meu âmago Enquanto meu sorriso é pura dubiedade Sinto hoje, que já não posso deixar nada para depois Que tenho que fechar as portas do passado Pois o tempo agora parece já quase esgotado O futuro é bem mais curto depois dos 42...

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Incólume desejo

Que distância! Qual nada! Incólume é vontade de beijar-te a boca… O desejo que me ponhas louca Que deixe na minha nádega, a marca da tua mão espalmada Não há limites que te separem da minha fantasia Que te tirem dos meus pensamentos sem nexo Que impeçam minha ânsia por teu sexo E assim,  me faço tua todos os dias És a ressurreição dos meus sonhos A lubricidade do meu corpo Do meu querer, os amanhos Tua pele é flor que meu apetite rega Mas sem a verdadeira recíproca Jamais consumar-se-à a entrega Susete Pereira

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Instantes

Eu parava admirando teu corpo nu Em cada detalhe, eu me perdia Enquanto tocava tua pele, a minha ardia No pensamento, apenas tu Desejava que parasse o mundo Enquanto teus pelos se eriçavam Minhas mãos te acariciavam De um jeito tão profundo... Instantes que valiam tanto Faziam tanta diferença Eram de prazer e encanto Instantes tão bons na tua presença Que não sei quando nem quanto Fizeram do amor por ti minha única crença.

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