Limites
Carrego dores que não me pertencem. Sinto demais, me afeto demais, me envolvo por inteiro. Às vezes, eu desejo roubar a tristeza das pessoas que amo, Pois me dói ainda mais vê-las sofrer. Aí eu lembro que sou apenas uma mera mortal, sem nenhum superpoder. Que não pode cruzar a tempestade em seu lugar, nem tomar para mim o fogo que os transforma. Entendi que a cura está na travessia individual, um processo lento, denso que exige os próprios passos. Hoje já não tento roubar-lhes as dores do teu caminho; escolhi ser a terra firme no fim do oceano, para lhe apoiar. Não serei a força que carrega o fardo, mas o porto seguro onde sempre poderá ancorar.
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