Para quem já caiu
Eu lembro de como é me sentir sozinha, mas não lembro como é ficar sozinha. Lembro dos domingos na passarela, do sol caindo como quem desiste, do cheiro urbano preso à pele, do som dos ônibus atravessando tudo sem pedir licença. Eu também atravessava. Invisível. Pessoas iam e voltavam. Algumas eu conhecia. Nenhuma me reconhecia. Não fazer parte não era abandono. Era regra. A solidão era honesta: não prometia futuro, não chamava meu nome, não fingia cuidado. Mas havia um chão. E agora, mesmo sozinha, eu caio.
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