Entre a Coragem e a Covardia
Entre a Coragem e a Covardia Há quem diga que abrir mão é um ato nobre. Porquê deixar ir é a maior prova de amor, é o que eles dizem. Mas nem sempre. Abrir mão, muitas vezes, é apenas o nome bonito que damos para o egoísmo covarde de nem tentar resolver algo que não entendemos direito. É a covardia que vestiu o terno da autopreservação e aprendeu a falar bonito. Querer ir embora não é, por si só, um gesto de coragem. Em muitos casos, é apenas medo disfarçado. Medo de se frustrar, medo de recomeçar, medo de se perder no outro. Ainda assim, esse medo demanda muita coragem. Coragem de admitir que não dá conta, que sente demais, que não quer mais lutar contra o impossível. E nem precisa ir fundo pra saber que há algo de humano nisso. Porque ninguém quer doer para sempre. Eu me pergunto onde termina a coragem e começa a covardia. Será que é covarde quem insiste num amor que machuca? Ou corajoso, por se recusar a desistir? E será que é corajoso quem vai embora, ou apenas alguém cansado demais para continuar? A linha é tênue, tão fina que as vezes que é impossível distinguir. Há dias em que eu me sinto covarde por querer desistir, e outros em que me sinto covarde por continuar. O paradoxo é inevitável. Tem que ser muito corajoso pra ser tão covarde. Talvez a coragem não esteja em abrir mão nem em insistir. Talvez a verdadeira coragem esteja em olhar para dentro, sem romantizar a dor nem transformar a fuga em sacrifício. Em simplesmente aceitar que amar é confuso, doloroso, difícil, contraditório. As vezes, é mergulhar no raso. E outras vezes, mesmo no fundo, saímos quebrados. No fim, o que resta é só isso. a consciência de que ser humano é viver no fio entre ficar e partir. E reconhecer que o único ato verdadeiramente nobre nessa merda é escolher o que é melhor pra si.
𝑿𝑬𝑵𝑨 𝑩𝑳𝑨𝑪𝑲𝑾𝑶𝑶𝑫 / 𝑪.𝑸 😁☀️
muito bom👏🏻👏🏻❤️
EviePoetisa
parabéns 👏
Meira
obrigada ❤️