Quando eu era criança
Uma Tv de 12 polegadas
Com imagens preto e branco
Era o mais perto que tinha chegado
De qualquer tecnologia
Lembro das primeiras imagens
do seriado do chaves
E da expressão facial do meus irmãos
De " Minha nossa quem diria"
Alguns anos depois
Eu vi na rua a passar
Um moço bem afeiçoado
Sozinho a tagarelar
Achei que o moço tava louco
Mas depois observei um pouco
Ave maria meu Deus aquilo era um celular
Depois de um tempo, conseguir um usado
Carregava pra todo lado
Minha nossa que alegria
Passou dois dias fiquei meio desanimado
Pois só ligava e atendia
Pra se ter uma idéia
Eu pegava uma fila
Com mais de 100 pessoas
Só pra quitar boletos de água e energia
Depois veio o Android
Tudo comecou a mudar
Tem até banco digital
Hj faço tudo sentado
Vivo como um sedentário
Nem quero mais levantar
Confesso que to meio assustado
Com tanta tecnologia
Agora querem sumir com o dinhero
Não sou nenhum pouco religioso
Mas parando pra pensar um pouco
Isso tá na bíblia
O que será que vem depois
Ai meu Deus Ave Maria
De: Sr.Machado
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Perdido
Perdidinho
Um completo fracasso
Em mais uma tentativa falha
de encontrar uma saída, um caminho
Cansaço chegou , por não ter um plano
Nem forças pra esperar o que reservava,
O temido futuro
E o especulativo destino
Cansou de ser indiferente
Quero dizer...
Era o tipo de pessoa que tinha
O escuro do quarto como melhor amigo
Pois é, pobre coitado
Mesmo rodeado de gente
no refeitório do colégio
Passava sempre despercebido
Exceto pela elite, os famosinhos
Que não perdiam a oportunidade
De lembra-lo todos os dias
Do quão ele era alto e esguio
Esse era o Aberlindo
E como sempre ninguém percebia
Ninguém dava a mínima
Que ele já estava no limite
E por nem mais um dia ele aguentaria
Sensação de desprezo
Inutilidade e vazio
Um garoto invisível
Esse era o Aberlindo
Isso o fez desistir de acreditar
Acreditar que podia melhorar
E então executar seu plano
Anteriormente definido
Era um dia
Extremamente chuvoso
Chuvoso e frio
Quando não mais que cinco pessoas
E um Padre
Realizavam um rito fúnebre
Em nome do Aberlindo
De: Sr.Machado
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Maldito drink no open bar
Indo contra a razão resolvi aceitar
Sorriso teia de aranha
Com um fio direto até sua sala de estar
O que veio depois é doloroso de lembrar
Me ofereceu mas um drink
Acompanhado de mais um sorriso
Que não pude recusar
Então a magia do último sorriso
Se dissipou no ar
Presa no meu próprio corpo ,
Na sua sala de estar
Um banquete perfeito
Que estava prestes a devorar
Como uma leoa posicionou-se e esperou
A melhor hora pra atacar
Debaixo de um viaduto
Em Jacarepaguá
Foi encontrado o corpo
Da iludida do open bar
Não conseguia fazer outra coisa
Senão chorar
em um leito de hospital
Depois de acordar
Sou apenas mais uma nas estatísticas
De mulheres iludidas
As iludidas do open bar.
De: Sr. Machado
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Mundo capitalista
Mundo poluição
Nações que queimam
Nas chamas da corrupção
Multinacionais aumentando seu império
Tendo como produto principal a população
As mesmas compartilham seus dados
Pra gigantes globais que desejam sua atenção.
Ilusionismos de streaming, simulam paraísos
Fictícios
Que poucos alcançaram e jamais alcançarão
Muita gente desesperada
pra se encaixar no padrão
Numa auto-sabotagem
Auto-mutilação
Tendo como destino inevitável
O abismo da boca do Leão.
De: Sr. Machado
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Primeiro flores
Flores amarelas
Época de girassóis no nosso jardim
Depois espinho
espinhos e rosas
Rosas com sangue
Foi o que restou no fim
Mas pra que chorar
Se posso sorrir
Pra que olhar pra trás
Se tem coisa melhor lá na frente, esperando por mim
Perdoar 2 vezes sim
Esperar por mais duas, é claro que não
Por isso basta de flores, perfumes e jóias
Porque agora , agora...
É preciso mais que isso pra ter de volta
Esse coração.
De : Sr.Machado
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