S.T @Sou_ST

Saudade

Certa vez fui triste, No tempo em que me embriagava de aventuras, Manejando no convés da alma uma mágica espada, “Honra e glória” em sua empunhadura bordada, Duelando contra o mal em seu covil triangular. Outra vez entendi, asqueroso, pensei. Embriaguei-me e, com humildade, declarei-me superior. Na manhã seguinte, compreendi que não havia melhor, Nem para mim, nem para outros. Certa vez estive feliz. Meu cachorro, idoso e já quase um vulto, Assim que retornei ao lar, jogou-se em meus braços, desesperado. Senti-me um verme ingrato, considerando o passado bobo. Outro dia invejei a juventude, Enquanto repreendia suas chamas crescentes, Seus sorrisos inconsequentes, Como folhas de outono que se deixam levar pelo marejo. Alguns dias atrás havia vomitado, e vê-los me lembrou disso. Algumas vezes odiei a todos, e contentei-me ao ver-me igual. Já amei, não orgulhosamente, um pouco a cada, acharam-me legal. Por todas as vezes, senti falta. Havia expectativa, sinceridade, esforço. Houve razões, perspectivas, incômodos. Senti falta da época em que me entristecia por ações, não retratos. Em que imaginava monstros e descobria que eram irreais, Onde poderia aprender, pois havia espaço, e tentar novamente. Sinto essa lacuna, minha falta, quando não entendia meus pais, Os tinha como ídolos infalíveis, e achava o mau humor incompreensível. Faz-me falta poder chorar em braços, com um abraço, e ficar tranquilo. Estar seguro e acreditar não só no outro, mas em mim. Acreditar que seria incrível, não falharia, e teria toda sabedoria do mundo. Dói que a angústia seja apenas rotina, Enquanto a alegria soe como déjà vu. Sinto saudades de mim, e espero que não tenha desistido.

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