Hino das favelas
Levantem-se, favelas! Cerrai vossas correntes, Marchem, marchem pela terra Expulsando as caravelas Que infestam o continente. Levantem-se, favelas! Que o sol arde em brilho negro, Façamos nós por nossas mãos Tudo o que nos diz respeito. De pé, filhos da fome, De pé, mães da miséria, O fogo da raiva consome O gelo frio desta era. Branca é a mão que persegue, Branco é o veneno que mata, Olhai na minha pele parda, A cor que me foi roubada. De pé, órfãos da pátria, De pé, soldados sem nome, Ouçam as trombetas da guerra Chamando-nos ao fronte. Abram as portas dos terreiros, Incendeiem cada cruz, Para que finalmente cesse A crucificação de Jesus. Avante, vento que sopra, Avante, tempo que gira, Os cães da miséria se escondem, Mas o rastro do sangue nos guia. Veja no horizonte, A revolução que se anuncia. Levantem-se favelas! Erguei vossos punhos, Para forjar na terra o altar de um novo mundo. Levantem-se favelas! Cantai todas as dores, Que o suor da batalha escorra em vitória Ao som de vossos tambores. Gritai, favelas! Não esqueçais vossos inimigos, Extraí vossa força para a guerra Do choro dos recém-nascidos. Uni-vos, favelas! Erguei vosso fogo em luz, Para que finalmente desça do céu A justiça em fino véu De um negro e retinto Jesus.
Comentários · 0
Nenhum comentário ainda. Entre para ser o primeiro a comentar.