Victória Bianca @SorrisoCianza

Gaia gravidade

De vez em quando eu rogo ao passado que me agracie com fruturos ao mesmo passo em que acho que não sou o mesmo, mas não saí do lugar recebo cartas, abraços, beijos e correios que vem do outro lado do mundo distinto fuzo luso-aventureiro, brisa que vem do norte e saí do sul Alísios e alívios ventos comuns trazendo os barcos e as chuvas de março há velhos galhos? Sim. ha galhos magros? Claro. Perdi, mais um vez, o contrapasso Já não consigo saber o que difere a raiz, os vermes, as flores, os frutos e os cupins Sinto que o que as crianças talharam em mim mudou o rumo A única coisa que aprendi é que há beleza em, quase, tudo E que toda folha há de cair Tenho a breve impressão de que já não acredito mais no calendário Adquiri apreço pelo que é, e é organicamente sagrado. E tenho burlado o cercado e conversado com o capim. Quando era gente, encontrei-me como outra árvore, em sonho, E me contei três segredos distinto em um idioma que eu mesmo inventei Ligados por algo entre mudez o sussurro e o cansaço Num rugido agudo de um estranho e conhecido passarin Eu sou minhas raízes, minhas folhas, meus frutos? Eu sou o talhar das crianças em mim? Toda matéria prima é a mesma Toda a água, toda a terra, todo barro O vento que trouxe os barcos e caravelas é o mesmo que ergue minha bandeira É o mesmo que beija as árvores É o mesmo por onde se guiam os aviões Os mesmo aviões que trouxeram o meu amor Os mesmo que bombardearam outro amor Toda matéria prima é a mesma Mas o sol não é o mesmo Não é a mesma a atmosfera E logo mais não brotaram mais flores nem cupins do chão da terra E logo em breve será outra a diversidade No berço desta Gaia gravidade Eu posso ser um mal fiel Eu posso pecar e ser rei ou réu Eu posso ser diabo, mesmo sendo deus Mas não posso escapar do vento Do que é, porque é e há de continuar sendo Eu gostaria de experimentar Uma filosofia vinda de alguma outra estrela noturna

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