Lâmina
O fel afia a lâmina fria rente a pele magra A jugular saliva, sangria voz calada Interna hemorragia da palavra votiva Da cisão escorre a poesia Verso a verso a gotejar histeria Maestria cirúrgica, corte e costura Ao compasso coagula a gula sutura E o fio que cura é o mesmo que rasga Fina lâmina da palavra Quente frente a pele crua Movimento incessante que remenda e machuca A dissecar a conjectura Até desfazer as vísceras Para saborear Deixe-me abrir mais uma poesia No verbo latente que pulsa Queima e purifica Até na mais palpável doçura Toda cura exige ferida.
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