camera-man
eu me vejo como uma luz branca entre as luzes amarelas, ou melhor, eu me vejo como uma luz branca entre as brancas, medíocre, confundível, útil pra um só propósito, eu não torno nenhum ambiente acolhedor, nem os deixo mais bonitos, e Deus não me deu a paixão, tampouco o talento, a inteligência, nem a coragem, eu sou um grande vazio, um poema sem caneta, sem papel e sem sentido, sem vida por trás dos meus olhos medianos, um museu -quase agradável, sem nada pra ver, sem discussões sobre qualquer obra porque eu não sou uma boa artista, sequer uma boa farsa, muito menos boa companhia, e pra ser fútil eu teria que ser bela, pra ser ruim eu teria que melhorar muito. Eu não tenho um propósito nem opiniões inteligentes, e se eu pudesse ser algo, eu seria -quase- nunca algo inteiro, mas parte de muitas, uma folha impressa na pilha de impressões, sem nada escrito, com algumas coisas gravadas, com resquícios dos dedos que me tocaram, marcados pra sempre, útil, mas nunca mais perfeito
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