Selson Agostinho @Selson_Agostinho23
Poema

V o l t e i

Voltei ao lugar onde a solidão insiste em nascer, tornei-me vento preso ao tempo que não quer correr. O vazio, antes sombra, virou casa em mim, um eco silencioso do que fui e do que já não tem fim. Senti de novo a ausência que há muito me venceu, mas agora ela chega calma, sem ferir o que sou eu. Vem lenta, sem pressa, a recordar uma dor que já não dói, resta apenas o silêncio que sustento quando tudo se destrói. Prometo-me mundos, nova vida, nova fase, novo ardor, sorrisos que renascem para acalmar o meu interior. Falo ao eu perdido nas esquinas do passado, aquele que espera cura num abraço atrasado. Voltei… mas hoje com passos leves, pés no chão, a mesma melancolia, porém sem a velha lágrima na mão. O vazio tornou-se hóspede estranho dentro do meu ser, e eu estranho-me em mim, sem saber mais quem quero ser. Voltei ao sítio onde a minha alma se calou, onde chorei mares que o tempo apagou. Voltei… mas sem o peso do que me destruiu, só com perguntas no peito e um caminho que surgiu. Voltei… e a vida, desta vez, o que guardará para mim?

Comentários · 1

  1. Nilza Poetisa

    Desejo que a vida seja repleta de surpresas boas pra vc. E que nunca te falte inspiração para ser o que és. Um poeta sensível e perfeito

    Responder
    1. Selson Agostinho

      Muito obrigado 🫂