Vagando entre memórias
Revivi pequenas histórias
E veio o arrepio
Como num dia frio
Onde a saudade cumprimenta
E meu afeto se sustenta
Na sua ausência
Ouço o som do silêncio
Que ecoa em pensamentos
Sobre todos os nossos momentos
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O torpor que me conduz a dor
Como flor brota naturalmente
Deixa quente a sensação física
Intrínseca e latente envolve
Resolve os porquês de tudo
Me deixa mudo e confuso
Do nada me encontro no vazio
Não dou mais um pio, só observo
Preservo e relevo a nuance do alcance
O lance de sentir e só escrever sem parar
Pensar é mecânico mas sentir é autêntico
Esquizofrênico decretado, impulso desvairado
Senti, escrevi, soltei, chorei, sorri, falei
Mesmo só e com nó na garganta
Após gastar pranto me acalenta o verso
Reverso do avesso expresso
Confesso e atravesso
A dor de ser como estou
Mas sou sem remorso porque posso
Quero mas não devo mas escrevo
Solto o que estava preso
O peso de ser quem sou
O suspiro que a alma soltou
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Esse tanto perdido
É um canto sofrido
Leva tudo que vem
Veloz e lento
Ao mesmo tempo
Me torno ninguém
Lágrima desce
Peito estufa e enche
Tanto chegou ao nada
Eu passei sem perceber
Descobri nada saber
Fim da estrada
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Como a correnteza de um rio
Passam as memórias e histórias
Faz fluir os sentidos intensos
A verdade é como um espelho
Reflete a imagem do desejo
Não há sentido ao que se sente
Sentir é minha principal vertente
As frases fluem conforme as sensações
Emoções pretenciosas sem intenções
Lado certo do avesso
Atravessa o que se expressa
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Impulso avulso que ultrapassa o limite
Palpita o coração e abre o apetite da libido
O permitido, o escondido, o proibido...
Tudo se mistura na fissura e na loucura
Resta a sanidade de saber as horas
Não há demora para que tudo afora devore
Até que nada sobre além de um deslumbre
Sob os escombros da sanidade invalidada
Sua lembrança é meu suspiro
É nela que me inspiro
Transformando em versos
Entre dores e sabores dispersos
Tudo foi tão de repente
E hoje o tudo tornou-se ausente
Tornou-se nada e ninguém
Tornou-se fim e mais além
Foi avalanche, onda, correnteza
Foi passageiro mas cheio de certeza
Hoje são dúvidas do que se passa
Hoje é presença escassa
Foi acerto e erro ao mesmo tempo
Foi calor, frio, chuva e vento
Se achou e se perdeu
Foi você e eu
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Passou e nem senti
A sensação veio aqui
E foi sem dizer tchau
Lembrei de cada segundo
Do medo gostoso e profundo
Um começo sem final
Aonde anda aquela presença?
Após intensa desavença
Partiu sem querer voltar
Mas voltou sem querer
Eu a trouxe sem ela saber
Que aqui ela sempre vai estar
Numa memória aleatória
Que da moral é escória
Mas permanece mesmo assim
A razão é superficial
A emoção é fundamental
Teve um começo sem fim
Insisto neste anseio
Permeio este devaneio
Insisto na fantasia
Enquanto lembro na escrita
Irradia a paixão infinita
Dia após dia
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Estava encoberto pelo verso que saiu
Me desnudou de todo pudor e fluiu
Expus a mais plena vontade viril
Refiz a nudez da cena que se repetiu
A alma nua porém desconcertada sorriu
Era a energia acumulada que ela difundiu
Ela é a vontade encorporada que me seduziu
O corpo era vestido mas a alma se despiu
E a mais profunda paixão se abriu
Ela não mais se fecha porque nos definiu
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Teu silêncio grita e me excita
Faz ter atrito entre emoções
Expõe mutuamente nossas pulsões
Nos convida um para o outro
Na devida medida fico envolto
E te vejo perdida em meu querer solto
Trago aqui um dilema
Um complexo teorema
Solução ou problema?
Você não sai da minha cabeça
Chega em meus pensamentos de surpresa
Qual fluxo de memórias devo seguir?
Devo permitir ou impedir?
Tamanha sequência de imagens
Vão me conduzindo a margem
De um rio de desejos sem fim
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