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Escrevo poesia mas não sou poeta

@SEMseNtiDo · desde 2019

peço licença poética para por tudo pra fora sem ética insta: @solitas.amare.dolor espalho pedaços de mim e arte por aí

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Demasia

A arte que me prende A arte que me priva Poesia Demasia Angústias Ressurgem no monocromático Quantas metonímias Peito preso Me sinto preso Sem liberdade Amor e lealdade Conversamos muito Resta silêncio O que faço com esse lenço? Durmo e me embrulho com o tecido Vencido? Derrotado Amor e cacos Ainda barcelos Ainda carrascos Ainda continuação de um passado Ainda recorte dos meus pecados Demasia

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Afeto

O afeto dói Parece que não consigo Esse laço invisível co-sanguíneo Mais dói que qualquer coisa Nem parece Mas desgasta Nem parece Mas acaba É meu instinto É a depressão voltando É minha tristeza e culpa É minha insensatez É o grito sem ser ouvido É o murro no muro Ensanguentado Invisível É constantemente Estar quebrado e sangrando É o silêncio É sentimentos embaralhados em forma de lagrima Que não escorre Que não te solta Não enxergo bem Confuso Dor no ouvido Sábado de manhã O inferno não é longe daqui.

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Desuso

Não sei usar Nem caçar Cochichos eu ouço Manipulo o que posso Vidros e garrafas estranhas Vou observar, sentindo o gosto Seu mar que me deixou Desorientado O mar do seu corpo Ondas que me afogam Com doçura e afago Me afogo nesse mar raso Me perco de novo E novo e novo Nem sei como pedir Socorro Se é que quero sair dessa cilada Com carinha de coitada Me mata Que mulher Linda Saborosa de conversar Presença confiante Voz calma Sorriso Bonito Gargalhada gostosa de ouvir Que não tem paciência E é ciumenta Eu nem posso gostar dela assim Mas aquele dia que toquei teus lábios As vezes Dias, ou noite Me voltam a memória Não gosto de lembrar tanto Talvez fique somente no passado Prefiro evitar que relembrar Esse breve fogo que me irradiou por pouco tempo Eu esqueço conforme mudo Infelizmente ainda não mudei tanto.

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Vivenciando

Ouvi uma vez que o ventania assim como o tempo Tem o poder de apagar as paixões e velas medíocres E também a força de alimentar as fogueiras e os amores radicais Nessa eu sempre me incendiei para que ainda houvesse fogo Queimei até não sobrar nada Como fênix Mas ainda sim, as sobras que não podiam ser queimadas Fiquei só E só o que sobrou ficou

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Amor mais uma vez

Meu amor sempre foi fogo Sempre irradiei amor Não penso em negar o amor Nem mesmo quando só eu amei Fiz o que pude para amar Mesmo nas paixões tentei amar Mesmo no amor eu tentei amar Não sabia amar Não sei amar É contradizendo Que vou falando e vou fazendo Tudo por amor E questionando Que amor?

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Olhos

Sempre olho nos olhos Janelas e alma Os seus são convites Como um buraco negro Me puxa pra perto O tempo distorce E me perco Não sei descrever o aconchego Seu corpo como páginas ainda não escritas, a pele num tom tão lindo, parece magia, Quanto a toco, há um calor Uma chama que inflama Medo desse fogo, incendiar o coração e ir embora, o vento levar embora e as cinzas sobrarem o que sempre resta Medo de amar o curto tempo que passamos juntos No infinito que foi nosso beijo Teu toque me deixa em alerta Já não sei o que sinto

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Recodor

Recordações, Se mostram diariamente O amor que se esbanjava Já não esvai mais É meu, esse amor Que tanto te dava paz Sempre achei que amar sobre Terríveis condições Era coisa óbvia Afinal, todos somos fragmentados de frustrações Mas algo se quebrou Amei-lhe diante pedras e barrancos Até sobre mim, atravessou-me A trilha que nos pertencia Era só mais um caminho Companhia era solidão Não havia comoção Era o que tinha de ser feito É feito por alguma razão Eu não era ser Era objeto Fora do momento certo De obsoleto solução Amado era Quando útil Foi aí que me vi Fútil Sou a utilidade que me deram O que causa e resolve A conversa chato do fim do dia A cobrança pós pagamento Já não era nem mais humano Recordo pouco Aos poucos O esquecimento toma Mas há cicatrizes grandes demais Só o tempo e o amor Tomam de conta

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Retrato

A vida é retrato Me consumindo em porta retratos Nem consigo dizer qual fotografia ainda participo No final cada um é um vínculo Carregamos cada cruz, em seus infeliz sortido Que amor é esse ? Complexos dispositivos Que amor é esse ?

Eu

Difícil é esquecer, por isso eu ignoro.

Arte

Com o tom

Tom Com o tom certo Arte Até poderia sonhar Sobreviver Amar Errar sem me perder Errar sem culpa Amar sem tapar buracos Viver tranquilamente Que artigo de luxo O amor Tomou pra si O tom Tonificou No torno O torneiro Na torneira Tirou a sujeita Sujeito tolerável Tangível? Qual tom?

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