A arte que me prende
A arte que me priva
Poesia
Demasia
Angústias
Ressurgem no monocromático
Quantas metonímias
Peito preso
Me sinto preso
Sem liberdade
Amor e lealdade
Conversamos muito
Resta silêncio
O que faço com esse lenço?
Durmo e me embrulho com o tecido
Vencido?
Derrotado
Amor e cacos
Ainda barcelos
Ainda carrascos
Ainda continuação de um passado
Ainda recorte dos meus pecados
Demasia
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O afeto dói
Parece que não consigo
Esse laço invisível
co-sanguíneo
Mais dói que qualquer coisa
Nem parece
Mas desgasta
Nem parece
Mas acaba
É meu instinto
É a depressão voltando
É minha tristeza e culpa
É minha insensatez
É o grito sem ser ouvido
É o murro no muro
Ensanguentado
Invisível
É constantemente
Estar quebrado e sangrando
É o silêncio
É sentimentos embaralhados em forma de lagrima
Que não escorre
Que não te solta
Não enxergo bem
Confuso
Dor no ouvido
Sábado de manhã
O inferno não é longe daqui.
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Não sei usar
Nem caçar
Cochichos eu ouço
Manipulo o que posso
Vidros e garrafas estranhas
Vou observar, sentindo o gosto
Seu mar que me deixou
Desorientado
O mar do seu corpo
Ondas que me afogam
Com doçura e afago
Me afogo nesse mar raso
Me perco de novo
E novo e novo
Nem sei como pedir Socorro
Se é que quero sair dessa cilada
Com carinha de coitada
Me mata
Que mulher
Linda
Saborosa de conversar
Presença confiante
Voz calma
Sorriso Bonito
Gargalhada gostosa de ouvir
Que não tem paciência
E é ciumenta
Eu nem posso gostar dela assim
Mas aquele dia que toquei teus lábios
As vezes
Dias, ou noite
Me voltam a memória
Não gosto de lembrar tanto
Talvez fique somente no passado
Prefiro evitar que relembrar
Esse breve fogo que me irradiou por pouco tempo
Eu esqueço conforme mudo
Infelizmente ainda não mudei tanto.
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Ouvi uma vez que o ventania assim como o tempo
Tem o poder de apagar as paixões e velas medíocres
E também a força de alimentar as fogueiras e os amores radicais
Nessa eu sempre me incendiei para que ainda houvesse fogo
Queimei até não sobrar nada
Como fênix
Mas ainda sim, as sobras que não podiam ser queimadas
Fiquei só
E só o que sobrou ficou
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Meu amor sempre foi fogo
Sempre irradiei amor
Não penso em negar o amor
Nem mesmo quando só eu amei
Fiz o que pude para amar
Mesmo nas paixões tentei amar
Mesmo no amor eu tentei amar
Não sabia amar
Não sei amar
É contradizendo
Que vou falando e vou fazendo
Tudo por amor
E questionando
Que amor?
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Sempre olho nos olhos
Janelas e alma
Os seus são convites
Como um buraco negro
Me puxa pra perto
O tempo distorce
E me perco
Não sei descrever o aconchego
Seu corpo como páginas ainda não escritas, a pele num tom tão lindo, parece magia,
Quanto a toco, há um calor
Uma chama que inflama
Medo desse fogo, incendiar o coração e ir embora, o vento levar embora e as cinzas sobrarem
o que sempre resta
Medo de amar o curto tempo que passamos juntos
No infinito que foi nosso beijo
Teu toque me deixa em alerta
Já não sei o que sinto
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Recordações,
Se mostram diariamente
O amor que se esbanjava
Já não esvai mais
É meu, esse amor
Que tanto te dava paz
Sempre achei que amar sobre
Terríveis condições
Era coisa óbvia
Afinal, todos somos fragmentados de frustrações
Mas algo se quebrou
Amei-lhe diante pedras e barrancos
Até sobre mim, atravessou-me
A trilha que nos pertencia
Era só mais um caminho
Companhia era solidão
Não havia comoção
Era o que tinha de ser feito
É feito por alguma razão
Eu não era ser
Era objeto
Fora do momento certo
De obsoleto solução
Amado era
Quando útil
Foi aí que me vi
Fútil
Sou a utilidade que me deram
O que causa e resolve
A conversa chato do fim do dia
A cobrança pós pagamento
Já não era nem mais humano
Recordo pouco
Aos poucos
O esquecimento toma
Mas há cicatrizes grandes demais
Só o tempo e o amor
Tomam de conta
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A vida é retrato
Me consumindo em porta retratos
Nem consigo dizer qual fotografia ainda participo
No final cada um é um vínculo
Carregamos cada cruz, em seus infeliz sortido
Que amor é esse ? Complexos dispositivos
Que amor é esse ?
Difícil é esquecer, por isso eu ignoro.
Tom
Com o tom certo
Arte
Até poderia sonhar
Sobreviver
Amar
Errar sem me perder
Errar sem culpa
Amar sem tapar buracos
Viver tranquilamente
Que artigo de luxo
O amor
Tomou pra si
O tom
Tonificou
No torno
O torneiro
Na torneira
Tirou a sujeita
Sujeito tolerável
Tangível?
Qual tom?
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