Breno Pitol Trager @Reorgio
Ritual

Minhocálux

Sob a escuridão que dorme nas dobras O sol ilumina as abdutoras sobras A tarde derrete-se, amena e meiga Tornando-se uma bola de manteiga Ao ver a luz que atrai e sensual corteja E elas deserdam o chão, pois lhe beija Contra o mal que a via esgota e sufoca Vem a ivermectina de asfalto em rota Para cobrir buraco de minhoca Que cresce, devora e nunca se esgota O chão de asfalto no escuro se encerra Abrindo o abismo no meio da terra Onde a minhoca do tempo jamais erra E a própria luz contra a sombra faz guerra Mas o sol verte o seu caldo bem quente Selando a fenda da negra serpente Cura a ferida até estrada à nossa frente E faz o asfalto brilhar reluzente

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