O Euconhecido
É apenas alguém que eu costumava conhecer Um rosto comum cruzando a calçada, o tijolo, sem pressa Cujo nome a memória deixou ao lado olá e belê Uma vaga figura que nem mais ou menos, me interessa É apenas alguém que eu costumava conhecer Que dividia comigo a risada, o tristonho e o segredo O abraço leal a não deixar ofício nem mesmo lazer E a cúmplice voz quer espantar minha fragrância, ó fedo É apenas alguém que eu costumava conhecer Parceiro dentre pactos, de contas e do, sim, ambicioso Com quem construí torres, e as vi erguerem colos até quem Dividindo o trabalho num mesmo vis-à-vis pedregoso É apenas alguém que eu costumava conhecer Que ardia em meus braços nas noitadas dançantes até febre Cujo toque fazia o meu corpo morango, aposto, quem quer Mas cuja lembrança a poeira hoje moveu-me os frutos disserem É apenas alguém que eu costumava conhecer A quem dediquei o desprezo com todo possível rancor Um nome que a língua prefere o charme cuspir desprazer O alvo perfeito de todo errante flecha à Culpidor Mas me encaro no vidro ao final da jornada E vejo o engano em cada projeção que criei Não há um segundo nesta sala tão calada Não há outro amigo, nem sócio, nem quem odiava O conhecido, o amante, o rival, sósia e o irmão São todos a imagem que o espelho a si guardou Sou eu este estranho ajuizado perdido no chão Que desentende, ao usá-los ser, é eu quem sou
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