Mamíferros
Banha que ao sol se derrete e ensola na cartola Rumina o ovo em estômago café da manhã Lipídio frito na gordura do bacon Alarga a cintura a parco demolir nêutron A mama busca a fé que ao Narciso sustenta No colostro morno da primeira manhã Instinto sagrado de bicho que mama, ame Fêmea que proclama é a própria oração Mas o ferro vem e marca o medular lombo Ferra o couro, o osso, o sangue, tece a razão Engrenagem fria planta na carne viva Garfo é peso de chumbo na mastigação É puro erro da pretérita evolução Mamíferro preso em sua própria gordura A fé que falha, o ferro que fere, o erro inócuo Espiritual bicho arquimede na arquitetura Fé que escorre da pele transpira areia Movediço erro que dobra sob o toque Erro que insiste em renascer novamente Mamífero que, entre banha e brilho, cói e dói Rumina o próprio credo para creditar
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