Breno Pitol Trager @Reorgio
Ritual

Algologia

Algo é o vulto ancestral do qual o verbo se não, contém Um sopro rarefeito que ao nome sempre marca além Algo é o chão secreto onde o sentido serve, pois esconde Tal como na névoa que ilumina alvos, e despeita drones Algo é renascer vivo em um corpo que já se disseca Renascimento é um cadáver dando luz ao Meca Algo é luz que falha ao tentar ser imagem e pensamento Iluminismo é máquina em burocrático descrendo Algo é passo torto no rito da marcha qual progresso Positivismo é ordem que ao caos presta juros, ingresso Algo é som tardio na escrevivência, de bocejo ao verbo Nominalismo é eco que só nasce quanto o exacerbo Algo é o quase-mundo que o silêncio é som que inaugura Um labirinto obscuro que a dúvida cerceava as ruas Algo é cifra mínima ao abismo que naufrágio persiste Um brilho que se apaga e mesmo assim tem seu aplauso e ouvinte Algo é o fundo oculto onde o tempo degela, e dissolve A sombra que se move quando o real calibra revólver Algo é o que resta quando o todo crê não se desfaz A chama que se dobra e ainda assim é mercúrio, incêndio audaz

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