Breno Pitol Trager @Reorgio
Ritual

Luzúrbia

Desde quando teu nome tornou-se este charme? Dessa dúvida nasceu Luzúrbia A fusão exata entre a tua luz, a nossa luxúria E a fúria cega desta selva urbana É o batismo do nosso desejo no peito da cidade predadora Onde o concreto e a carne sangram sob a mesma chama Nosso amor é caleidoscópio em transe Retratando no ar sombras e cores inomináveis É a própria natureza urbana em estado bruto Um mistério denso, pulsante, indomável Somos como um balão que no chão se enterra Guardando no silêncio uma força subterrânea Que quando estoura, faz o solo tremer até o fundo Sacudindo as latinas placas tectônicas Somos o excesso do bolo vulcão no instante do colapso O contraste visceral no derrame quente de sorvete E tudo o que parecia feito para voar Agora segue na terra imerso, preso ao asfalto que a própria paixão promete Respiramos juntos os gases tóxicos desta erupção Luzúrbia queimando os pulmões a cada respiração O farol que ilumina, consome e eterniza o abismo. Luzúrbia, luxo de gelo pregados no vestido Que não derretem, porque o peito que o veste é Confrigo

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