Fenomenópole
Fenomenópole Nós temos diferentes doenças Mas fruímos a mesma cura com Exatamente os mesmos remédios Circulamos pela mesma febre urbana Procurando curas que se anulam Na poeira, estrada de barro Como se uma única cura fosse o rachado espelho Virados para lados distintos do céu Enquanto a cidade cresce E o túnel do trem soa Uns quaisquer buracos de minhoca O espaço se dobra sobre o ferro incandescente Engolindo a pressa em desvios do planejamento De tal forma que o tempo hesita E a bússola, silenciosamente, aponta meu não desejo Meu teto se expande e contrai, Um arranha-céu curvado Cuja raiz se alastra, torneando risco no chão Rasgando o concreto em busca de aprumo Enquanto a estrutura se curva à gravidade O próprio chão é um pulmão cancerígeno Arfando, engolindo, a arquitetura do mundo Trovoadas dançam no paço municipal Mas é o raiar do violeta Raio quem marca a incógnita Do próprio fenômeno Desnudando a praça em lampejos frios De uma meteorologia incalculável Equação que ninguém resolve Pois pulula batidas do coração E definha tão pragmática quanto Um milonga no qual quem dança é número Sob a luz fracionada dos faróis Tecemos o fluxo da multidão Idas sem cumprimentos, e Voltas sem despedidas Tudo retorna, retirando-se Nada se anuncia, vem mundo Vai sem rosto... Fenomenópole Ruim barroco
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