@RafaelSelassie
Drama

As verdades nos conselhos de um hipócrita

—És tu o ser miserável que salga teus poemas com tuas ruínas diárias? O derrotado que nunca travou uma batalha? Quando decidirás tua vida, óh homem covarde? Levanta-te e lê o que a vida escreveu na carapaça de teus sonhos irresponsáveis! Óh, poeta de nada! Quão maior fracasso na vida mais improdutivos são teus versos melancólicos, apartados de tua real existência vitimista que lhe atrofia a alma neste casco de covardice que tu se resumiu. Tu compõe alguns poemas, não de tua própria vida ou história, mas das memórias do ser que tanto invejas. Transformando teu desgosto em palavras digitais, em poesias que são substituídas dia após dia por outras da mesma sintonia, estas, nunca retiradas do sulco da experiência da vida ou em gozo nas realizações táteis, mas das misérias ficcionais novelescas, tais quais pelos teus neurônios convertidas em baboseiras românticas em que tu, "autor", foi incapaz de criar uma conexão de almas, pois falta verdade, falta a ti e falta a tua alma! Quanto tempo ainda pensa que lhe resta, óh jovem cágado humano, deste ponto até a realização de teus sonhos? Quantos de teus dias, poemas e lágrimas serão pelo que tu fizeste e não pelo que tu sonhaste? Óh, poeta que nunca viveu e muito escreveu, o mundo está farto de ti!  Por quê tanta vergonha? Por quê praticas a bondade com ódio? Por quê mendigas para o mundo enquanto olha-os de baixo e deseja que caiam sobre seu próprio crânio? Óh, ser que pensa ser o pior dos piores, e por assim pensar, assim profetiza e acabará sendo pelo resto de tua existência! Os maus se aproveitam de ti, a sorte se afugenta, o amor não te descobre pois a tua memória é curta e burra com teus erros. Não aprendeste a amar, não aprendeste o amor ao próximo, não aprendeste a perdoar, e por isso não sabes quem és. Você naufragou num mar de palavras. Óh ser mais minúsculo, alma tão desnutrida, de sorriso magro de óbvias dores, nem Deus se compadece de ti, pois tu, após este conselho tratarás apagar as memórias, se acovardarás em teu casco e dirás que o mundo que não te entende.

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