Eu queria acreditar
Que a felicidade vêm da erva dos campos, das frutas dos pomares, das ondas dos cogumelos que me revelam o divino. Acreditar em um Deus me deu o mundo para que eu desfrute dele, e me deu ao mundo para que o mundo desfrute de minha bondade... E que nada nele é cruel... Queria acreditar que Deus me deu a mulher, esta fruta da carne que como todos os dias, de todas as formas, e gostos, de que me alimento de sua seiva infinita, à cada dia mais faminto e as vezes sou eu, quem, por ela, é devorado... Mas não destruído. Eu queria acreditar que Deus deu estas frutas à todos, mas também distribuiu igualmente dentes lábios e língua para o desfruto geral deste doce paladar... Mas não na injustiça. Eu queria acreditar que a culpa não está em Deus, mas sim, em nós que o acusamos da desgraça dos famintos, para nos livrarmos do incômodo que é acudi-los. Porque nunca nos levantamos para dar de comer nem ao nosso vizinho. Eu queria acreditar, que o amor ao próximo é maior que o amor ao distante... Eu queria acreditar que o que falta para isto é pararmos de culpar Deus por tudo, e fazermos nossa parte, sermos anjos de alguém, sermos anjos caídos, anjos feridos e as vezes quase mortos pela falta de esperança... Eu queria acreditar que sou a esperança, e que dando o que sou, haverá mais de mim... E queria acreditar que culpar o bom Deus é a verdadeira omissão assassina, de quem podendo ser anjo, resolveu assistir os demônios... E que se Deus acabasse com os demônios, talvez as pessoas que eu amo, não mais estivessem ao meu redor... Eu queria acreditar que realmente acredito. Rafael Selassie
Comentários · 0
Nenhum comentário ainda. Entre para ser o primeiro a comentar.