Aprisionado em meus pecados
Sempre que escalo o poço
A pressão aterrorizante do passado
Me retira, depravadamente, do caminho da luz.
Pesada é esta cruz.
De prazeres sangro sozinho.
Deste amargo vício
Entre a carne e o espírito
Sigo acorrentado
Pela impureza de minha essência.
Que decadência...
Que demência...
Me digo livre
Mas vivo refém desta doença.
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Da janela, a luz incide em minha face
Aquecendo minha carne, e meus pensamentos.
Tudo vai se passando tão quieto...
Olho para o céu
Me encontrando em memórias distantes.
As nuvens passam de pressa.
Parecendo marchar rumo ao Oriente.
A musa da qual amei, também é de lá. Reflito.
Por um instante ela me veio a mente.
Se a tivesse encontrado
Uma vez mais. Ainda assim seria insuficiente.
A vida tem disso.
As vezes não podemos fazer nada.
As vezes o Adeus está no ato mais cotidiano.
Adormecido. Desperto. A tarde passou, mas ainda sim
A luz. A lua. Me fazem creer que ela continua aqui, comigo.
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A campanhia toca. Com pressa abro a porta.
Na hora, nossos olhares se envolveram...
Na beleza simples de um "pois não"
O rosto sorridente e simplório
De quem me pedia ajuda na mudança.
Que balanço. Que dança! Meu coração quase; caiu.
Senti seu pulsar na garganta.
A voz pulava. Parecia que voltava a ser criança.
Que lembrança!
Que toda tarde tenha uma nova mudança
Que cause uma lembrança, nuância.
Na imaginação, colhi uma venturança.
Tenho me apaixonado ainda mais por essa Vizinhança.
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Noite linda.
Na madrugada, via-a pálida
Como se fosse filha da lua.
Sua boca, com uma doçura amarga
Fervilhava meu corpo como o sol.
A míngua, esperançava seu corpo nu.
Desbravando o gozo amor em seu falar.
Fui feliz. Eu e a noite.
Aquela noite, aquela,
Nunca saiu de minha mente.
Até hoje meu corpo sente.
As marcas, os toques, felizmente.
Mas o dia raiou. E novamente.
Tive que a deixar.
Espero que voltemos a nos encontrar.
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No reflexo pálido de meu espelho
Vislumbro o vazio de meu quarto.
O relógio conta as 9
Eu que sempre fui 10
Em 1 segundo, tomei um rumo amargo.
Nefasto. Que causo. Perdi-me no quarto.
Nunca fui o primeiro pra mim.
Sempre me coloquei em segundo lugar.
Calmo; isolado. Em que esquina vou me encontrar?
São essas dúvidas que o espelho escuta
E engole pela densidade pesada da reflexão
Responde com o inqueito silêncio
"Solidão".
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Se eu fosse rei
Quebraria meu Império
Quebrei galhos
Desmoronei castelos
Desfiz promessas
Jurei marmelos
Contrariei pelo prazer etério
Sério!
Sou assim, contraditoriamente
Menti pra mim.
Sim! Sou assim!
Te amei do início ao
Fim.
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Escreva, alma. Escreva.
Na beleza de ideias fracas
Na certeza de amores sucedidos
Escreva, alma. Escreva.
Em cada traço,
Em cada gole,
Em cada trago
Esvai-se a vida
E com ela
Vão as Vivências...
Mas ainda é cedo
Ou talvez será tarde de mais para perceber
Que a aquela criança já cresceu
Que aquele amor, já morreu
Que de seus sonhos mesquinhos
Nada floresceu.
Por isso, escreva!
Registre no compasso da literatura
A marca de sua alma.
Um respingo de quem fora.
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Se eu soubesse que morreria enquanto estivesse vivo, aproveitaria cada segundo sem ser um cativo.
Dentro de mim é muito mais escuro do que eu imaginava;
Vivendo em um labirinto onde não há saída,
Não sinto a luz há anos, as trevas ecoam a todo momento,
E mesmo assim tenho esperança.
Estou aprisionado nas correntes de minhas decisões,
Meus amigos se tornaram os sete pecados capitais
E o amor, agora, nada mais é, do que uma data comemorativa
Ocorrendo somente uma vez por ano.
Não sei quando me perdi, ou se eu realmente vivi.
Neste instante apenas sei que estou insatisfeito com quem me tornei.
Estou a naufragar em um infinito mar de desejos
Mas não tenho nada
Que me motive a chegar a ilha do perdão.
Caro leitor, não sejas como eu que escreve palavras ao vento,
Aquelas que não marcam, que não impactam que simplesmente são insignificantes
Vivam a vida, mostrem sua essência e enfim terei uma utilidade,
Pois eu sinto que daqui jamais sairei.
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O côncavo buraco negro me atrai instintivamente
A velocidade decai e a luz é sugada momentaneamente.
No gélido espaço temporal, fértil e pavoroso
É inflamado a noite e o transparecer do teor belicoso.
Dentro de sua órbita gravitacional se esconde o segredo da vida,
Feito um buraco de minhoca me levando à dimensão perdida.
"o frio incomodo, a condução violenta, e o resultado impalpável"
Me paralisam, sufocam-me e originam em mim
O último suspiro; a passagem do outro lado.
Agora; sozinho, quieto à sete palmos
Saboreio o pesar dos sonhos não firmados.
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