Fuga
Procuro o zíper da carne, a costura malfeita do meu ser. Quero as unhas cravadas no peito, no esforço cego de me desfazer. Há um grito que não cabe no osso, uma alma que não aceita o contorno. Quero me rasgar de cima a baixo, fugir do meu próprio transtorno. Ser apenas o rastro do rasgo, o que sobra quando a pele desiste. Sair de mim como quem foge de um incêndio, porque habitar esse corpo é o que me assiste. Quero as mãos sangrando a saída, o descarte do que eu fui até aqui. Me rasgar até que não sobre nada, além do espaço onde eu nunca vivi.
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