O Ciclo da Inércia
Me tornei um deserto, chão de pedra e cal, Onde o grito se perde e o golpe é igual. Sinto tanto e tão junto, num nó de tal sorte, Que o excesso de vida pareceu minha morte. "Nada mais me balança", eu disse ao espelho, Blindada de cinza, fugindo do vermelho. Mas o mundo é um cão que fareja a jactância, E morde o silêncio da minha distância. A frase nem morre, o eco nem cala, E o "último abalo" atravessa a sala. Sou o vidro que avisa que não vai quebrar, Mas se estilhaça inteiro só de alguém respirar
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