Deixei de lado sem muita cerimônia,
As minhas parcas petulâncias do achismo
De um ser ridículo insistente em ter razão,
Fingindo ser praticante do altruísmo.
Desci os degraus lodosos da arrogância
Temendo com isso levar um escorregão,
Já que ao ascender a escala do ego,
Fazendo amornar meu coração
Uma vez no topo o próprio ego
Lança-lhe de volta sem pudor algum ao chão.
Reconhecendo de vez toda hipocrisia
Que paira sobre mim como uma nuvem
Compreendi de vez que eu não era águia,
E sim um frágil sabiá em penugem,
Meditando sobre as questões profundas da vida
Fui como o aço ao ser corroído pela ferrugem;
Enfraquecido pelas bases, um ser humano,
Às vezes não sabe sequer como elas surgem.
Paguei todas as contas atrasadas,
Tomando notas de minha insignificância;
Como agiota das amarguras da alma
Fui um farsante, um mascarado, um pilantra!
Sob a ótica do universo somos partícula e pó
Sob os olhares de Deus, somos arteiras crianças,
Que brincam o tempo todo com fogo proibido
E a poster fazem dormindo xixi em suas camas.
Subi o monte íngreme em plena madrugada
E pude sobre a rocha negra avistar
Estrelas cadentes rasgando o céu escuro
Escoltados pela pálida luz do luar
Enquanto corujas chirriavam nas galhas altas
Deixando um certo clima de suspense no ar,
A beleza é tão relativa quanto as folhas verdes
De uma árvore qualquer quando o outono chegar.
Vi então de uma vez por todas
Que a beleza é nula e abstrata
Não é sobre olhos, ou sorrisos,
E sim sobre coisas da alma,
É um nó cego em laço fino,
Que olho nenhum desata
Pois a beleza se torna fútil
Se acaso for erotizada,
Como manequins sem vida
Nas vitrines requintadas.
O belo é invisível aos olhos,
O resto é apenas uma faixada.
Insta: @junior_liberato_poeta
Continuar lendo
Metades são incapazes de satisfazer alguém que é completo.
Amor sem propósito é semelhante a um barco sem mar. Não há utilidade nas partes com apenas uma das suas metades.
Ouço o som urbano,
a agonia humana,
os medos aflorarem
ecoando pelas paredes.
Assim, numa noite qualquer.
Os motéis, os cortiços, a ralé
a elite de nariz empinado
Agindo de má fé.
Vejo a flor nascendo,
Meio desbotada pelo ar poluído
e em meio ao caos, perece
Solitária, sem reagir.
Borboletas em pânico
Colibris depressivos
Pássaros voando
mas sem sentir o prazer da liberdade.
Ouço, clamar do alto dos prédios
nas favelas, o som do gueto
Em meio aos carros transitando
um mendigo vagar totalmente alheio.
Ouço, as panelas batendo
Vazias, enferrujadas.
Pessoas chorando,
nascendo e morrendo
Sinto a fumaça amarga corroendo
os pulmões dos fumantes,
Ouço o coração oculto no peito
triste batendo.
Vejo com lágrimas nos olhos
A linha tênue e frágil
da vida complicada
Onde ninguém sabe seu ponto exato
Como começa? Como acaba?
Viver é uma experiência
que não é cem por cento exata.
por Júnio Liberato
Continuar lendo
Um ponto da questão é viver, outro adverso a este é, se ter ciência de que está vivo, posto que ninguém pode saber que está vivo se de fato não o estiver, além do mais, nem todo ser vivente reconhece que de fato está vivo e em que esse fenômeno divino consiste.
Poeta Júnio Liberato
O indivíduo como sendo inteiramente livre, tem sempre autonomia para poder ante às situações, refletir um pouco e chegar a uma reposta direta e sensata sobre seu: sim ou não. Sendo um privilegiado por poder fazer o seu próprio destino, calcular seus passos um a um e organizar bem suas idéias, é dotado de grande consciência e raciocínio. Entretanto, essa mesma liberdade que o permite programar e premeditar cada ação, é também aquela que de certa forma o corrompe tornando-o orgulhoso, soberbo e autossuficiente, armadilha perigosa que o faz agir de modo completamente oposto ao que se espera de um ser coerente.
Continuar lendo
A partir do instante em que saímos do útero materno e adentramos a atmosfera do meio social, somos inseridos num ambiente completamente néscio e repulsivo no que diz respeito ao nível moral a que a sociedade se rebaixou. Pessoas se tornaram vazias e fúteis demais. O advento da razão na evolução da humanidade, indubitavelmente não só trouxe os bons ventos do progresso e os pensamentos construtivos que o acompanharam, e logo se materializaram em grandes idéias, invenções e teorias, mas, justa e certamente, tornou-se o ambiente propício para a reprodução em escalas catastróficas, dos "germes" autores das desigualdades entre os homens. Uma vez permitido que eles surgissem, se instaurassem e conquistassem espaço no meio social, o ego logo brotou dos corações exaltados pela liberdade mal interpretada e empregada, do mesmo modo como a água fervente é cuspida para fora de um geiser em erupção. O ódio ao que é externo e diferente, dividiu as pessoas umas das outras, dentro da mesma espécie, criou-se um leque imenso de preconceitos e adversidades que corrompe e destrói a essência do ser humano.
Continuar lendo
Não se pode opinar coisa alguma sobre uma história da qual você leu apenas os capítulos que mais lhe agradaram.
Poeta Júnio Liberato
Eu preciso te confessar
Com poucas palvras,
e muitas ações.
Mas, você já se sentiu
preso alguma vez?
Cercado por medos,
imerso nas incertezas
... acorrentado nas opiniões?
Então, sabe bem como funciona.
Em nome do orgulho tolo
quase sempre a gente abandona
Chances que talvez sejam aquelas
mais aguardadas e sonhadas,
Ao lado de alguém que te ama.
Entretanto, não pude ver
Minha ignorância não me deixou ouvir.
Em nome de um orgulho bobo
Muita coisa já deixei partir.
O arrependimento que bateu depois
Todos os dias me perseguiu
Mostrando que minha ignorância
Somente para me prejudicar serviu.
por Júnio Liberato
Continuar lendo
No mundo atual,
a maiora, de si mesma tão vazia
Considera justo buscar no visual
A satisfação momentânea
para o vácuo existente em si
desprezando o essencial.
Há uma questão que me intriga,
e na minha cabeça não se ajeita:
Será que é apenas a aparência,
que define se você será
arrastado para esquerda ou para direita?
Sei lá,
Acho este ato tão bossal,
Por que acredite, na moral,
Você pode estar perdendo a chance
de conhecer a pessoa perfeita,
Atraído pela embalagem ao invés do produto,
desmerecendo totalmente a receita.
por Júnio Liberato
Continuar lendo