SONETO ENGANADO
Do envenenado pranto, que ao saber, bebeste, Meu paradoxal e oposto Don Juan! Quiçá, sem ele, Irmão, mais padeceste... Pois sem a Charamela, ao menos, do Deus Pan, Sem mais o que fazer, a um Lupanar deceste, Onde de Eva, a rude, a antecedente irmã, Que disse: — Além de ti, quero o outro e aquele e este!... Mas cristalinos lábios quentes de ortelã, Na solidão pedinte e Hercúlea que carregas, Seduzem mais que o hibisco, aos mansos beija-flores! Destarte, até à sua sombra, estúpido, te apegas. Pois entre Ninguém ter, ou os mais tristes amores, Preferes sempre a dor! A dor com que te cegas, Qual quem vê um arco-íris e indaga-se: — E as cores?... (Queiroz Filho)
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