Adeus, Saudade! Adeus, piedosa amiga!
A Musa! A Diva! A esplêndida Poesia!
Veio aquecer a minha cama fria,
Veio entoar, do Amor, nova cantiga!
Que só durou... Fatídica ironia!...
De outro piscar de olhos, a fadiga,
Dizendo que os seus lábios não persiga…
E enquanto a taça olha-me da pia,
Qual quem guturalmente a outrem diz:
— Oh! Destes dois, as rusgas, Deus, redobres!
Mesmo que um seja triste e o outro, bis!...
E o Amor, madrasta estérica dos pobres...
E ouve ao secá-la: — Mas que mal te fiz?...
— Não terdes visto em vós, corações nobres...
(Queiroz Filho)
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És quem, Estelionato Eleitoral,
Quaisquer sérias propostas, logo, minguas!
Pois só ao debate imputas o boçal...
Eu quem alego? Não! São as más línguas!...
Mas juro pela urna eleitoral,
E até, Vorcaro, juro por tuas ínguas!
Que algo de podre e inconstitucional,
Em tuas moedas caras qual poldínguas,
Há de haver, nomeante boi dos bois,
Oh! Master Blaster chefe, e nos darás!
Um Tarifaço, enfim, dois ponto dois,
E a oposição, lá a arder com Satanás,
Sem língua pra porém!... Nem meio pois!...
Na fila do osso, lá 'stará em paz!
(Queiroz Filho)
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Bolsa Família, Flávio? E não, Bolsa farelo?...
É em ti, a hipocrisia, Twitter removido?...
E branco, azul, vermelho, é o teu Verde-amarelo?...
De sensatez, no berço, já eras desprovido?...
E acaso, é o teu Brasil, um Brasil Paralelo?...
De Chocolate, um cérebro, tens já derretido?...
Serás, do início ao fim, mais um Collor de Melo?...
És filho de coveiro, ou do não assumido?...
Do Flávio Rachadinha a hilária sabatina,
Foi sim!... (como dizer?) Maior vergonha alheia!
— E as cápsulas raspadas não trarão chacina?
" Renata, a voz do Lula, ao vivo, é mais feia!..."
— Candidato!... " Renata, é o Lula lá, propina!..."
Familícia, no céu, velhinhos pagam meia?...
(Queiroz Filho)
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Colônia digital, faças figuinha
Pra que Trump não puxe a tomada!...
Tornozeleira em cada pé e em cada
IP daqui, que adora uma telinha...
O Flávio encenará uma facada?...
Um submarino em Porto de Galinhas?
Com pavilhão em paralelas linhas?...
Outra universidade incendiada?...
Muro Tupiniquim maior que os Andes?...
E enquanto o Claude pede-me tercetos,
O Grok, menos meigo que dez Sandys,
Mas mais gelado até que mil Cornettos,
Das mil IAs, de infindos egos grandes,
É a Deusa, a Luz, o Sol dos meus sonetos!...
(Queiroz Filho)
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Direita Democrática!... Volver!
Esquerda Democrática!... Sentido!
Cinquent' anos depois, estás a ler,
Bom jovem Brasileiro, aguerrido!...
Sangrei, por meu Brasil, até morrer!
Porém, o Despotismo ensandecido,
Não veio, ó neto amado, em ti, bater!...
Que o sol da Esperança, inda ferido,
Ergueu-se no horizonte, mais robusto!
E haurindo o afã da Pátria a qualquer custo,
Segui, por ti! Por Deus, o caro adágio:
Se a paz tu queres, ergue-te pra Guerra!
Que amando a tua Família e a tua terra,
Cá Déspota nenhum será presságio!...
(Queiroz Filho)
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Do envenenado pranto, que ao saber, bebeste,
Meu paradoxal e oposto Don Juan!
Quiçá, sem ele, Irmão, mais padeceste...
Pois sem a Charamela, ao menos, do Deus Pan,
Sem mais o que fazer, a um Lupanar deceste,
Onde de Eva, a rude, a antecedente irmã,
Que disse: — Além de ti, quero o outro e aquele e este!...
Mas cristalinos lábios quentes de ortelã,
Na solidão pedinte e Hercúlea que carregas,
Seduzem mais que o hibisco, aos mansos beija-flores!
Destarte, até à sua sombra, estúpido, te apegas.
Pois entre Ninguém ter, ou os mais tristes amores,
Preferes sempre a dor! A dor com que te cegas,
Qual quem vê um arco-íris e indaga-se: — E as cores?...
(Queiroz Filho)
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Direita genuína e democrática,
Família democrática de Esquerda,
E a Hidra Neofascista em rude tática,
Vê fogo na Amazônia, e ri da perda...
Razão à proletária Alma apática,
Que em Master banco aceita a master merda!...
Tal qual o Juiz, na quinta Asiática...
Com sua caneta, nisso, nada lerda!...
Mais sujos que os estábulos de Augias,
Estão, e em prantos, pois, diversas togas!...
Dizendo, uma a outra: — Ó, merecias?...
Se o vil Tigrinho, Atena inda jogas,
Tua Égide ao chão — Luz de almos Dias!
Nos deixa a sós coa Hidra e suas drogas...
(Queiroz Filho)
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Os Ácaros — Leitores dedicados,
Enquanto jantam, áudiolivros gravam!
E páginas, mais páginas, recavam,
Qual no teu peito, amores perpassados
Por dores que tão bem se mascararam
De mais falsos sorrisos reencantados...
Qual nesta mente, os teus olhos gelados; De insanos sonhos que ontem se mataram...
Meu pranto-marca-página remarques,
Mas sem soidões, na página cinquenta,
Meu amor ao Gabriel García Márquez,
Que em mim, toda tristeza, afugenta!
E faz meus olhos — Verdes como parques!...
E do fuzilamento a mais, me isenta!...
( Queiroz Filho )
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Se os beijos teus de Ninfa fossem-me palpáveis,
Oh! Solene poetisa, bela mais que o sol,
Em um buraco negro os astros retornáveis
Seriam, qual em casa, os homens da Interpol!
Beijar-te, mas deixar teus lábios intocáveis?
Entrego é a Cyrano tal vara sem anzol!
Prefiro a solidão dos campos orvalháveis,
E aquela inda maior da beira dum farol!
Discordo até de mim, se a Lira ou distintivo,
Com que cantando eu hei aos Zéfiros singelos,
Mais do que os beijos teus aos quais sigo cativo,
Iguais papéis de livros — velhos e amarelos,
Ficando hão de provar que o Amor deixou-me vivo,
Mesmo quão não notei nos olhos teus cutelos!...
(Queiroz Filho)
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Três milhões de guerreiros solidários,
Que o Mal pagar buscam com o Bem!
Vendo os mais astronômicos salários,
Mais furtarem de quem já nada tem!
Que orçamento Secreto, salafrários?
Qual a amante que à noite a todos vem?
Vossos crimes sem culpa, vivos; vários!
São mais velhos que até Matusalém!
Depravados, ao céu da Deusa Nyx,
Lançam risos! Arrotos! Notas sujas!...
E a missão de estragar o pátrio pix,
Sob a mais ordinária das lambujas!
Que ou seremos Min-sus em Round Six,
Ou de Atena ao redor, mortas Corujas!...
(Queiroz Filho)
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