Aquele do Poema Abstrato
Os retalhos que retaliam o meu coração Dizem que a música é mais bela canção É abstrato e me abstraio em você Me deixando a me perder Esqueço as falhas, já não risca O papel mantém as marcas É uma arte meio insana Que emana em mim, sangra Eles me disseram para me controlar Antes que eu não pudesse me parar E me retorço, me encolho e escapo Me desvio desses golpe a trapos E me escondo em mim mesmo Até o temporal passar Se é que ele vai passar E me afogando vejo o mundo que ainda tem O desespero que me leva a ver ao além Parece um fio que me leva à imensidão Flertei e mandei flores para escuridão Que guarde meu lugar, às vezes vou te visitar Mas meu caminho não é sozinho E eu prefiro não me prender e me apegar Meu caminho não é ranzinza E as cores cinzas vêm me buscar E digo que o mundo tem mais cor E eles dizem que não tem, não senhor E eu abro meu peito, o meu coração Uma aquarela sem direção Pintando os arredores É abstrato, me abstraio de mim mesmo Fagulhas em trapos, cortei os retratos Emendei os retalhos até só restar o lençol Que se estende aos galhos e é meu farol
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