Há dois invernos a tinta secou na mesa.
Há três tentei a calmaria.
Há quatro o pranto desaprendeu teu nome.
Perco a conta dos dias.
Finjo a compostura do mais lúcido dos homens
enquanto cultivo,
sob as costelas,
um amor sepultado vivo.
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Ao escritor é confiada
a mais árdua das missões:
traduzir em palavras as emoções,
dar voz ao que o coração guarda.
Mesmo o sentimento mais ardente,
aquele que persiste na mente,
faz qualquer verso parecer insuficiente.
Ainda assim, o escritor insiste,
explora o que em seu íntimo existe,
na tentativa de, fielmente,
revelar o que na alma subsiste.
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Maldita miopia
Fez-me enxergar amor
onde não existia
Se tento te decifrar por meio de escritores
Ou se tento te dizer com músicas
Ou se tento te Pintar com cores
FracAssaRei em cada uma das tentativAs
Pois ninguéM poderá te descrever
Porque nenhuma música, palavra ou tInta,
Das coMuns às mais distintas,
Decifrará tudo o que é você...
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Tentando resgatar o tempo que perdi,
Perdi-me nas trilhas da vida.
Preocupado apenas com a ida,
Esqueci de onde vim
O que me trouxe até aqui.
Aquilo que era uma busca,
Hoje é despedida:
Já não me encontro em mim.
Vivo correndo contra o tempo
Evitando contratempo
Pensando em quando viverei o amanhã
Lutando a cada manhã
Encurto minha vida
Buscando uma saída
Por amor já tanto fiz,
onde a paixão se converteu em cicatriz.
Não nego que ao meu mundo trouxe cor,
e em instantes a dor pude esquecer,
pelas loucuras que a mim o amor fez padecer.
Viver com os pés no chão nunca foi meu forte,
entre o sim e o não,
a emoção era meu norte,
deixando de lado a voz da razão.
Princípios que, ao final, fragmentaram meu coração.
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Deixa que eu viva em você
Como ideia em pedestal
E no fundo do querer
Ser a tua força vital
Pois preciso ser perene
Em minha busca sem final
Afinal, qual o sentido de existir
Sem a outra parte que falta em mim
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Foram tantos pecados
Erros cometidos
Sua mão que afaga
Um dia maltratou
Mas olhe o tempo
Passou como o vento
E toda minha raiva
Que outrora atormentava
Hoje cessou
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Te eternizo em meus versos
Talvez eu seja o prisioneiro e o próprio carcereiro
Pra ser feliz, será que tenho que te esquecer primeiro?
Vou te deixar finalmente ir
E me dar uma chance de ser feliz
Quero voltar a sorrir
Será o maior ato de amor que já fiz
Queria, no entanto,
Deixar registrado aqui:
Eu te amei tanto
Que não vivi sem ti
Mas como vc seguiu a vida
Preciso deixá-la ir
Então essa é a minha despedida
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