Re existir
- Como tu sustentas a tua angústia? - Resistência. Antes é preciso respeitar minha resistência. Ao reconhecer minha angústia, não me desfaço dela, permito que aja enquanto me oponho, mas sem derrubá-la por completo. E vou encontrando um lugar de não julgamento para o que surge desse atrito. Não me forço em resolver, por mais que vontade tenha. Deixo brotar o que for e escuto enquanto persisto. Sustento a minha angústia tratando bem minha resistência. Não a obedeço, nem a elimino. É nesse fio de tensão que permanecemos, com dificuldade e truculência, mas sem submissão. Fico doendo. Sinto-me mal, mas isto não me enfraquece, torna-me vulnerável e então me acolho. Cuido de mim. Envolvo-me em um casulo que não fecho, e pela fresta volto à vida. Converso, rio, danço, como, e então nasce o que me devolve harmonia, com a ausência de sentido e o silêncio do mundo. Até que eu force a ter sentido, até que o silêncio responda e que o não ser, seja.
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