Abençoados espinhos na carne,
Forças criativas de minh'alma
Amálgama de emoções (antes contidas) a se rebelar.
Catálise de sensações a irromper, da obscuridade para a luz divina
Epílogo de uma sina,
novo mar que se descortina, a
desaguar de meu mundo para meu universo,
e no qual
somente a nau que capitaneio
pode navegar.
Êxtases proibidos, fluidos, me invadem e me tomam de assalto... e rogam permissão para existir, tão somente.
E suas sementes germinam por todo meu ser,
condensadas em gotas transparentes a escorrer
lentamente...densamente,
por caminhos que fechei em minha jornada
E assim, caladas na alma, silentes,
percorrem o inusitado, o desconhecido tão presente,
o ignorado, abandonado,
(mas jamais ausente)
desejo entorpecente
que tanto reprrimo e almejo adestrar
Mas que, no entanto, sendo força divina de evolução
não se prende a grilhões
pois precisa jornadear,
livre
pelos caminhos onde a luz existir.
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Te vejo
Tal como te percebo
Estrela negra, radiante nos céus de meus dias
Ilumina, em sorrisos,
a alegrar toda alegria
Embora distante, ao alcance de um abraço,
trazes, aos instantes de cada instante,
um desejar
por todo instante que se aproxina.
Sol que emerge
das profundezas do ocaso
e expande, em luz e magia, tua essência...
feitiço pleno... viva, nua e crua poesia
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Existem momentos, frames de existência, em que o passado se faz presente...
Olhar adiante mostra apenas fotos e vídeos de um futuro de cores mutiladas e estradas retas, de um porvir e um não existir latentes.
Desancorado pela tempestade, aprisionado, gravito o ponto fulcral, o olho do furacão, solto na incerteza dos descaminhos desse vendaval....
Com o anoitecer, visitam-me a iminência e o paradoxo de uma implosão basilar que aguarda um esperançoso alvorecer... e é impossível romper o ciclo do tempo.
Amanhã, restarão apenas fragmentos... apenas aquilo que, de mais forte, existe em mim... matérias-primas de novas bases, amalgamadas de todas as existências anteriores... como um novo velho eu, metamorfoseado.
E é só aí que todas as dores ganham real significado.
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Tem horas em que dói tão desesperadamente, tão calado no mais profundo ser do meu ser, que explode a vontade louca de andar, andar alucinadamente, até que tudo o que restou encontre um nada, onde nada mais existir.
Aquela hora em que só queria que a noite fosse apenas a noite e não um todo... nem tudo.
É quando aquele nó na garganta tem o papel principal - e protagoniza a diferença entre a vida e a morte emocional, espiritual... por simplesmente impedir que saia tanto (ou tudo)... para que não reste apenas nada.
E está tudo bem.
Afinal, tudo o que restou a preencher meus vazios... é apenas um indecifrável, inefável e incontornável... vazio.
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