I @Oanonimato
Humanidade

Loucura

No manicômio a céu aberto que juramos chamar de lar, as telas nos devolvem um olhar ensurdecedor. Corremos contra o nada, um relógio a nos queimar, enquanto o chão se parte – e chamam isso de amor. Vendados de certezas, cultivamos nosso absurdo: fazemos pactos com o vazio, colecionamos likes. O normal? Um tiro surdo. O sensato? Um puro turvo. E os sãos, nesse hospício, são os que não usam psicotrópicos. Se a lucidez é um grito que abafamos na multidão, que venha a doce loucura de enxergar o óbvio: um fio de estranheza a costurar o coração, e na vertigem, encontrar o verdadeiro sóbrio.

Comentários

Nenhum comentário ainda. Entre para ser o primeiro a comentar.