Gabriel Stt @OTristeRatoSolitario
Fábula

Dia de Eclipse

Há quem irradie luz como Fortaleza Há quem seja sem graça como São Paulo E há invernos siberianos por aí Penso que na cidade da minha alma Teria nos dias mais comuns Sempre um vento agradável Seria bom de respirar Um clima úmido, boa vegetação, com tímidos raios de sol, entre frequentes tarde de chuva Teria um silêncio bom Em raros e aleatórios dias do ano, teria clima de verão Na sua maioria de um sol ruim Não é aquele que te alegra a correr no parque É aquele que te adoece Que faz o sangue ferver raiva e angústia Mas o diferencial da cidade, o cartão postal O dia em que eventos acontecem O dia em que me separa das cidades vizinhas Seria o dia de eclipse Por vezes temporadas inteiras de uma alma sem luz Fechamos fronteiras e ficamos em clima de luto Uma espécie de halloween sem sorrisos É verdade que demônios caminham livremente pelas calçadas Mas também é verdade que a arte flui pelas vielas É verdade que esperança e orgulho desaparecem Mas também é verdade que os cidadãos se identificam, afinal é a cultura local Nossa idiossincrasia Apesar do breu, as ruas se enfeitam, pequenos lampiões iluminam apenas o necessário. A silhueta de demônios e pessoas é confundida no horizonte Com cultos ao álcool e ao sangue, esculpimos novas esculturas e ruas da cidade A alma sempre muda após um eclipse Quem sofre são as igrejas do amor É de praxe que num dia de eclipse você enxergue uma queimando Não entro no mérito se é bom ou não Sei que é um misto de dor e conforto É num dia de Eclipse Que minha alma parece ser mais verdadeira É quando amores mortos cheiram mal É quando meu corpo cansa E minhas dores escrevem poemas

Comentários · 1

  1. Luana Hanna

    Saudade de te ler, meu amigo

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    1. Gabriel Stt

      Bom saber que tu ainda anda por aqui, Hanna