Há quem irradie luz como Fortaleza
Há quem seja sem graça como São Paulo
E há invernos siberianos por aí
Penso que na cidade da minha alma
Teria nos dias mais comuns
Sempre um vento agradável
Seria bom de respirar
Um clima úmido, boa vegetação, com tímidos raios de sol, entre frequentes tarde de chuva
Teria um silêncio bom
Em raros e aleatórios dias do ano, teria clima de verão
Na sua maioria de um sol ruim
Não é aquele que te alegra a correr no parque
É aquele que te adoece
Que faz o sangue ferver raiva e angústia
Mas o diferencial da cidade, o cartão postal
O dia em que eventos acontecem
O dia em que me separa das cidades vizinhas
Seria o dia de eclipse
Por vezes temporadas inteiras de uma alma sem luz
Fechamos fronteiras e ficamos em clima de luto Uma espécie de halloween sem sorrisos
É verdade que demônios caminham livremente pelas calçadas
Mas também é verdade que a arte flui pelas vielas
É verdade que esperança e orgulho desaparecem
Mas também é verdade que os cidadãos se identificam, afinal é a cultura local
Nossa idiossincrasia
Apesar do breu, as ruas se enfeitam, pequenos lampiões iluminam apenas o necessário.
A silhueta de demônios e pessoas é confundida no horizonte
Com cultos ao álcool e ao sangue, esculpimos novas esculturas e ruas da cidade
A alma sempre muda após um eclipse
Quem sofre são as igrejas do amor
É de praxe que num dia de eclipse você enxergue uma queimando
Não entro no mérito se é bom ou não
Sei que é um misto de dor e conforto
É num dia de Eclipse
Que minha alma parece ser mais verdadeira
É quando amores mortos cheiram mal
É quando meu corpo cansa
E minhas dores escrevem poemas
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Um mar espesso de um vermelho escuro
Parado sem vibrações, brilhando na penumbra
Não há vida, não há esperança no horizonte
Não há nada no céu
Aqui ja houve minha alma
Já existiu inocência
E alguém que sonhava bonito
Mas na indiferença
Na traição
Na violência
E na humilhação
Tudo se perdeu
Minha alma morreu tão jovem
E agora eu me afogo no sangue dela
O Triste Rato Solitário
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O que é belo ja me tocou
Pediu licença e veio entrando a passos fofos
Entrou no meu peito dançou
Encheu a barriga de doer
E dormiu varias horas
Embaixo das estrelas
Naquela noite de verão
O seu calor me abraçou
Sua magia me guiou de forma fluida
Como se eu fosse eterno e indestrutível
Mas hoje é o medo quem me visita
Ele tem muito menos respeito
Ele entra rasgando
Ele aquece só por quê incendeia tudo
E como quem empurra alguém
Ele me leva
Eu quero conforto
Eu quero afeto
Eu quero amor próprio
Corpo e mente saudáveis
Quero pertencer a alguém incrível
Mas o medo me guia por outras estradas
Com ele eu tento ser o melhor no meu emprego
Eu quero ser notado pela concorrência
Por quê tenho medo de ficar pra trás
Com ele eu choro pela atenção de quem não me merece
Com ele me asseguro de tudo antes do próximo passo
Entre o belo e o medo eu vou vivendo
Flutuando e rastejando
Suave e áspero
Gabriel
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Cadê a certeza que me prometeram?
Hoje faltei ao trabalho
Era pra ser um dia bom
Tinhamos planejados coisas boas
Acordei mal outra vez
Terrores noturnos
Paralisia do Sono
Pesadelos, depressão
Frescura... Eu sei lá
Só sei que me trancou na cama por 13 horas
Perdi o que ia ser um bom dia
E eu não faço ideia de onde vem ou como luto contra isso
Dependo da paciência dos outros?
To empregado só por consideração?
Cadê minhas certezas?
Cadê meu controle?
Eu cheguei aos 20 pra ser ainda mais dependente?
Passei o dia tentando me distrair, vi uns curtas
Vi um filme ruim, só não queria pensar
Esperei meu pai sair, pra levantar da cama
Não queria conversar com ninguém
Tá uns 12⁰ agora e eu aqui sentado na rua
Bebendo um vinho e escrevendo isso aqui
Cadê minha certeza?
Cadê meu controle?
Wellerman toca no Spotify
Villareal acaba de ser campeão
Rulli um novo ídolo
Eu to aqui no frio olhando a lua
Qual o meu sentindo nessa merda toda?
As vezes parece que só tenho o que tenho por todo meu privilégio, por toda minha sorte, nasci na geração certa, no corpo certo, porém com uma alma Quebrada
Ah... Voltando a isso do sono ruim
Lembro que sonhei com elas de novo
As meninas que me apaixonei e deu errado no fim
Nas últimas noites, antes de dormir
Tem voltado às crises existenciais ....
Eu to saindo com uma guria muito legal
Existe diálogo, existe respeito
E existe minhas inseguranças
Existe tanta coisa na minha cabeça
Tanta coisa boa na minha vida
Porquê não da pra pegar o que é bom e seguir?
Cadê a porra da certeza que me prometeram?
Não é só ser bom e justo que a vida se resolve?
Não tem um juíz do bem lá em cima?
Eu tenho um baita time de gente legal por perto
Em todo canto, em vários contextos
Pq eu lembro tanto das q me fizeram mal?
Minha casa é calma
Minha empresa é bem humana, tem gente legal lá
Tenho bons amigos, conheço muita gente
Minha psicóloga; psiquiatra; nutricionista
Todos bons profissionais, pessoas atenciosas
Até as pessoas que me tatuam são muito legais
Então pq eu continuo assim,
Cadê minha paz?
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Na falta de afeto
Me afundo
Sem quem amar
Sem um abraço pra chamar de lar
Me entrego ao niilismo que minha depressão adora
Eu ando tão desanimado nesses últimos anos
Social e profissionalmente os melhores
Emocionalmente os piores
Não quero continuar
Não quero me orgulhar
Sozinho eu não quero vencer
Eu não quero mais ser
Me deixem renunciar a vida
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Um coração apaixonado
Se guia por tolice
Digo, por vida
Por ideias bobas
Infantis como a infância
Verdadeiras
Engrena suas batidas numa euforia quente
Encontra o paraíso no sorriso amado
Flui o sangue suave como uma brisa leve
É, uma brisa leve, aquelas de fim de tarde
No verão
Com a natureza soprando suave e carinhosa
Por inteiro se faz verdadeiro
É só quando timbra veracidade
É que ele de fato
Vive
Gabriel
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Sem leituras
Sem criação alguma
Sem jogos
Sem música
Sem bons momentos com amigos
Essa dor me isola de tudo e de todos
Qualquer coisa que me distraia
Que me faça bem
É insuficiente
Ela me obriga a vê-la
A sentir seu cheiro podre
Ela não me deixa esquecer
Que jamais encontrarei meu lugar
Que nunca sentirei esse conforto
Sem lar
E morto
Eu sinto toda essa podridão
Sem distrações
Gabriel
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Olhando de pertinho os detalhes da natureza encantam e ela permanece, olhando de longe os astros estão calmos e o planeta também.
Invisível no meio disso, tem você, vivendo uma vida escrita por outros invisíveis, se castrando todo por orgulho, ego e medo de pisar fora da moralidade. Vivendo uma vida pra se arrepender e reclamar, mas com a esperança de um paraíso
O planeta não ta morrendo, a natureza tá só machucada, quem ta sumindo e vai sumir, é você...
Gabriel
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Não necessito de longas linhas
Para te explicar sobre minha vida amorosa
Me apaixonei a primeira vez com 6
Daqui 4 meses faço 21
Dei a energia que eu não tinha pra chamar a atenção dela
(Digo, delas... Todas as 4,6,10 eu sei la ...)
Sempre encantado, querendo ganhar seu coração
Mas ela nunca quis o meu
Fui no máximo distração
Gabriel
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- Medo de se apaixonar?
- Medo de me apaixonar sozinho