oitavo
A fraca luz de um farol distante, Persevera resoluta no horizonte. Atravessa guerras e conflitos. Supera trevas, por oceanos esquecidos. Ventos gélidos condenam pássaros, Quatorze mitos fogem do belo retrato. Abandonando ritos no vácuo, Despedem-se da dama, dos seus belos astros. Resta, enfim, a última dúvida. Do que é feita a palavra soturna? Fui feita de fé, amor e dúvidas. Fui cor, mitos, amargura. Fui inseto. Fui estrela. Fui carta: o baralho da realeza. Enfim, fui poesia. Resta, enfim, a última dúvida. Do que é feita a palavra soturna? Fui feito de morte, descoberta. Fui paisagem, brasa incerta. Fui tempestade teatral. Fui música: a poesia primordial. Porém, poderia ter sido mais. A jovem esperando a amante. O idoso vendedor ambulante. Uma artista, um cronista por doses. Um cínico, morto pela tuberculose. Uma canção, um filme brasileiro. Um sorriso, um aviso, um conceito. Resta, enfim, a última dúvida. Do que é feita a palavra soturna? Devo descartar a eloquência: De que seria, senão minha essência? Eu, que sou o poeta que inventou a escrita. Eu, que sou a sedenta poetisa. Eu, que com palavras torno-me tudo. Exceto Deus, o Criador do mundo. Delírio de Netuno, em seu exílio. -Nora H.
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