Nora H. @Nora_H
Poesia

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Eu tinha um passarinho, Pequeno, azul e tímido. Dava-lhe de comer, dava-lhe um ninho. Dava-lhe de beber, dava-lhe carinho. Eu amava meu amigo, Mas meu amor não era recíproco. Um dia, comprei um presente, Um aparelho que dava comida; Conforme a fome crescente. Conforme o desconforto evidente. Nunca mais meu querido pássaro, Deu a mim um olhar, um chiado. Desconsolado, abri sua porta. E o passarinho voou. Eu tive outro passarinho, Falatório, aconchegante e lindo. Coloquei joias e luas ao seu redor. Coloquei outros, para não ficar só. Nunca mais olhou para mim, Então lhe permiti o mesmo fim. E tive outro e outro e outro. Tantos, tantos passarinhos. Ó, solitário coração teimoso. Por que insiste nesse aviário? Não basta a presença dos pulmões; Para lhe servir como telhado? Continuará a se afastar do farol, Coletando desprezo com seu anzol? Saia debaixo desse granizo, Proteja-se da surda ventania. Não lute, coração aflito, Não busque mais companhia. Resta apenas gelo e trevas; No local onde procuras penas e pétalas. Portanto, a gaiola enferrujou, Enfim, a janela se fechou. Despedida de Urano, senhor dos céus. -Nora H.

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