Casa Vazia.
Ouço em meu profundo interior, A voz do silêncio tingir aos poucos cada rastro dos meus passos. E esse som... Ah, esse som é veemente e doloroso. A dor surge na nascente, porém ela também some, é engolida conforme o leito corre. Essa dor me traz a fúria, o fogo e a garra que mais tarde trará vitória. Porém o silêncio não conforta, pelo menos não inteiramente. Quando a solidão adentra cada canto do quarto, o silêncio é morno. A ingrime sensação de estar em paz. E a tão combatente sensação de estar em paz. Nessas horas, eu desapareço. As vezes quem surge é quem serei. Outras, quem eu fui. Quem sabe, quem eu teria sido. A verdade é que no presente sou de tudo um pouco. Afinal, quem teria sido eu sem todas essas dores? E esse presente? Ele existiria sem tantas batalhas encaradas pelo caminho? E o futuro... Ele é o que mais dói. As vezes a pergunta latente se irei prosseguir bem com a sombra de tudo que faz parte desse conjunto que sou, perturba. E essa sombra segue em mim. Quando fecho os olhos, consigo vê-la com clareza. E é nesse momento que eu desabo, eu sempre desabo. O coração tão puro e um olhar esperançoso, alegre, contente, felizardo... Eu desabo ao ver o passado, Eu desabo ao sentir o gosto da inocência. Tudo isso eu sinto fortemente. As vezes eu choro, outras nem consigo mais. O amargo da lucidez golpeia cada resto de ingenuidade que ainda resta, ou restava. Mas me encontro satisfeita. Eu diria que encontro descanso. Descanso esse que me traz ânimo pra escrever cada linha desse poema, que também me traz vida outra vez. Ainda que eu caia, sei que tem dia que é difícil, ainda que o choro seja presente na solitude (ou solidão, depende do meu momento). Eu sigo. É da minha sabedoria que todo dia alguém com uma nascente como a minha, ou com raízes afrouxadas, cicatriza a mesma ferida. Seguiremos, Tentando estancar cada fluído, E renovando tudo que empalideceu.
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